Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Home em foco Elite empresarial se reúne nesta semana em Davos, no Fórum Econômico Mundial

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A elite empresarial que se reúne nesta semana em Davos, no Fórum Econômico Mundial, está mais pessimista que nunca sobre o futuro – tanto o de curto como o de longo prazo. Confrontos geoeconômicos, com o avanço do protecionismo e o desmantelamento de cadeias produtivas, são o maior risco apontado para os próximos dois anos, acompanhados da ameaça crescente de conflitos armados entre Estados.

No longo prazo, para além das mazelas humanas, 5 entre as 10 maiores ameaças são ambientais, lideradas por eventos climáticos extremos. O relatório do fórum lamenta a falta de cooperação global e vê nela, acertadamente, o remédio para os males atuais. Mas como o relatório baseado em pesquisa com 1.300 executivos, acadêmicos, governos e sociedade civil mostra, essa é a rota da qual o mundo cada vez mais se afasta.

A pesquisa foi encerrada em setembro e os eventos posteriores confirmaram um diagnóstico sombrio, em que a era do multilateralismo deu lugar a um unilateralismo agressivo, nutrido pela radicalização política. “A confiança, a moeda da cooperação, está perdendo valor”, conclui o documento, cujo primeiro capítulo tem como título: “O mundo em 2026: no precipício”.

No curto prazo, em dois anos, os principais riscos elencados, pela ordem, são o do confronto geoeconômico, a desinformação, a polarização social, eventos climáticos extremos e conflitos armados entre Estados. O primeiro e o último dos itens reúnem 32% das respostas e estão muito interligados. Nos próximos dez anos, os eventos extremos, a perda de biodiversidade e as mudanças criticas nos sistemas ecológicos predominam na lista, à frente da desinformação e de resultados adversos da inteligência Artificial.

O presidente Donald Trump é o sujeito oculto dos principais diagnósticos sobre os males do mundo atual listados no relatório de Davos. O comércio e as cadeias de produção passam pelos “maiores distúrbios em décadas. Está em alta o número de setores considerados estratégicos para a segurança nacional e objeto de sanções, tarifas, proibições ou veto a investimentos. Não à toa, mais da metade dos entrevistados (58%) considera que os próximos dois anos serão turbulentos ou convulsivos e 40% consideram este prognóstico realista para os próximos dez anos.

A busca pela autonomia de recursos econômicos rompe com cadeias de produção construídas durante a globalização e estimula a concentração de tecnologias e recursos estratégicos. Ela cria uma base clara para conflitos entre Estados, como ameaça fazer o presidente Trump, que sequestrou o ditador da Venezuela e pretende se apoderar do petróleo do país, assim como do território da Groenlândia. O relatório de Davos prevê que a disputa geoeconômica se aprofundará, com os governos “lançando mão de uma vasta gama de ferramentas econômicas a serviço da segurança nacional”.

As vítimas são o multilateralismo e o pilar principal no qual ela se sustentava, a ordem internacional baseadas em leis. Dos 143 países envolvidos na pesquisa, 68% deles registraram que o império da lei esteve em declínio em 2025. Pode piorar. “Competição global, polarização local e a decorrente inabilidade para enfrentar desafios coletivamente criarão novos riscos para o domínio da lei e a estabilidade social”, indica o documento.

Uma nova ordem competitiva global está emergindo e sua feição não é amigável: haverá menos constrangimento a ações unilaterais e mais barreiras ao comércio, com repercussões sociais e econômicas negativas globais. Duas delas aparecem na pesquisa com força, embora pareçam subestimadas atualmente: perda de fôlego ou recessão das economias e a volta da inflação.

A ordem multilateral foi erodida pela polarização social e pelo surgimento de forças extremistas e nacionalistas, que tendem a aprofundar as disputas geopoliticas. Elas foran alimentadas pela desigualdade social, que poderá se amplificar com o avanço da IA – que deslanchará a médio prazo e, em 2033, movimentará um mercado de US$ 3,1 trilhões. Efeitos positivos, como aumento de produtividade trazidos pela tecnologia, poderão se tornar venenos sociais, ampliando a desigualdade, além da gama e da potência bélicas, permitindo uma escalada de conflitos. Os conflitos armados, um dos maiores riscos de curto prazo, tên crescido. Em 2025, houve 61 deles en 36 países, no quarto ano mais letal desde o fim da Guerra Fria, em 1989.

Assim como as previsões otimistas de Davos de uma ordem globalizada perene e benéfica para todos se revelaram uma ilusão, o vaticínio de catástrofes em série pode não se realizar. Os antídotos receitados, como maior esforço de cooperação por uma coalizão de países interessados, são eficazes, mas terão de enfrentar correntes poderosas contrárias. (Opinião/Valor Econômico)

 

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