Sexta-feira, 20 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de março de 2026
Elon Musk afirmou que deseja colocar até um milhão de satélites em órbita para formar grandes data centers espaciais movidos a energia solar. A ideia é levar o processamento de IA para fora da Terra, já que os data centers usados para treinar e operar esses modelos consomem grande quantidade de energia.
Para viabilizar o projeto, Musk uniu duas de suas principais empresas após a SpaceX, fabricante de foguetes do bilionário, comprar a xAI, companhia de inteligência artificial também controlada por ele.
“A inteligência artificial baseada no espaço é obviamente a única maneira de alcançar escala”, escreveu Musk no site da SpaceX na segunda-feira, acrescentando sobre suas ambições na área da energia solar: “No espaço, sempre faz sol!”
Mas cientistas e especialistas do setor afirmam que mesmo Musk enfrenta obstáculos técnicos, financeiros e ambientais enormes para alcançar esse objetivo.
Sentindo o calor
Captar energia solar no espaço poderia aliviar a pressão sobre as redes elétricas da Terra e reduzir a necessidade de enormes data centers, que ocupam grandes áreas e consomem volumes elevados de água para refrigeração.
Mas o espaço apresenta seus próprios problemas.
Os data centers geram uma quantidade enorme de calor. Apesar do espaço parecer oferecer uma solução por ser frio, ele também é um vácuo, que retém o calor dentro dos objetos da mesma forma que uma garrafa térmica.
“Um chip de computador sem refrigeração no espaço superaqueceria e derreteria muito mais rápido do que um na Terra”, disse Josep Jornet, professor de engenharia elétrica e da computação na Northeastern University.
Uma solução seria construir painéis gigantes de radiadores que emitem luz infravermelha para expelir o calor, diz Jornet, observando que a tecnologia já funcionou em pequena escala, inclusive na Estação Espacial Internacional (EEI), da Nasa.
Mas, segundo Jornet, para sustentar data centers do porte imaginado por Musk, seriam necessárias estruturas enormes e frágeis, nunca construídas antes.
Ainda assim, Musk demonstra confiança.
“Podem anotar o que eu digo”, disse Musk em uma prévia de um episódio do podcast Cheeky Pint que vai ao ar na quinta-feira.
“Em 36 meses, mas provavelmente mais perto de 30 meses, o lugar economicamente mais atraente para se colocar IA será o espaço. E aí, estar no espaço vai ficar absurdamente melhor.”
Corrida espacial da IA
Musk também não está sozinho nessa disputa.
A empresa Starcloud, de Washington (EUA), lançou em novembro um satélite com um chip de IA da Nvidia para testar seu desempenho no espaço. O Google estuda data centers orbitais no Projeto Suncatcher. Já a Blue Origin, de Jeff Bezos, anunciou planos para lançar mais de 5 mil satélites, com foco principal em comunicações.
Musk, porém, tem uma vantagem estratégica: os foguetes.
No ano passado, a Starcloud precisou usar um dos foguetes Falcon (de Musk) para enviar seu chip ao espaço. A Aetherflux planeja enviar um conjunto de chips, que chama de Cérebro Galáctico, ao espaço em um foguete da SpaceX ainda este ano. E o Google também pode precisar recorrer a Musk para lançar seus dois primeiros protótipos de satélites até o início do próximo ano.
Pierre Lionnet, diretor de pesquisa da associação comercial Eurospace, afirma que Musk costuma cobrar dos concorrentes muito mais do que cobra de si mesmo — até US$ 20.000 por quilo de carga útil, contra US$ 2.000 internamente. Com informações do portal G1.