Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de janeiro de 2026
Sem grande impulso da agropecuária e com juros ainda altos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve seguir em desaceleração em 2026, ano de eleições gerais no País. O crescimento deverá ser menor do que em 2025, projetam analistas. Com a perda de ritmo, a inflação tende a ficar abaixo do teto da meta, sem gerar prejuízos significativos para o mercado de trabalho, que deve continuar aquecido. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve colher o crescimento mais baixo de seu terceiro mandato iniciado em 2023.
O desempenho só não será mais fraco por conta de estímulos vindos de políticas adotadas pelo petista. No caso do PIB, a projeção mais recente do mercado financeiro indica alta de 1,8% em 2026, após crescimento previsto de 2,26% em 2025, conforme o boletim Focus divulgado pelo BC (Banco Central) na semana passada. O resultado de 2025 só será publicado em março pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“É uma economia que está em processo de desaceleração, mas que não deve causar um grande mal-estar para a população, porque a inflação vai estar abaixo [do teto da meta], e o desemprego vai estar relativamente baixo. É um cenário diferente daquele do pós-recessão de 2015 e 2016, por exemplo”, diz o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.
Ele prevê alta de 1,5% para o PIB em 2026, após projeção de 2,1% em 2025. Para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), Vale espera variação de 4,2% em 2026, após 4,4% em 2025. O dado fechado de 2025 será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (9).
Na mediana, as previsões do mercado financeiro apontam IPCA de 4,05% em 2026, após avanço de 4,32% em 2025. Os números estão abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC.
Analistas afirmam que os alimentos podem mostrar alguma aceleração em 2026, depois do alívio gerado pela safra recorde e pela queda do dólar em 2025.
As projeções, por outro lado, sinalizam que a manutenção dos juros em patamar elevado deve contribuir para conter os preços dos serviços.
A expectativa é de que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, comece a cair até o final do primeiro trimestre, mas ainda encerre 2026 em dois dígitos. A projeção do Focus é de juros de 12,25% ao fim do ano eleitoral.
“O número menor para a inflação do ano que vem [2026] é a composição de bens importados ainda em patamar confortável com a diferença da inflação de serviços, que a gente acredita que será mais baixa, porque vem a reboque da desaceleração da atividade econômica”, afirma o economista-chefe do banco Daycoval, Rafael Cardoso.
O banco trabalha com projeção de crescimento de 1,7% para o PIB em 2026, depois de avanço de 2,2% em 2025. Para o IPCA, a instituição espera alta de 4,1% no ano eleitoral, depois de aumento de 4,3% nos 12 meses anteriores. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)