Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026

Home em foco Em conversa que durou cerca de 50 minutos, presidentes Lula e trump combinaram ida do brasileiro aos Estados Unidos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nessa segunda-feira (26), por telefone, com o líder americano Donald Trump por cerca de 50 minutos. A ligação ocorre em meio às negociações para ampliar as isenções de setores brasileiros ao tarifaço e à proposta americana para que o Brasil integre o controverso Conselho da Paz, iniciativa dos Estados Unidos que reuniria líderes para mediar uma solução para o conflito em Gaza.

Ambos alinharam uma visita oficial de Lula aos Estados Unidos em fevereiro, a ser realizada depois da viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul. A data definitiva ainda não foi divulgada.

Seria o terceiro encontro pessoal entre os dois presidentes desde que Trump assumiu seu segundo mandato, e o segundo em solo americano. Os dois tiveram um breve encontro, de aproximadamente um minuto, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em setembro, logo após o discurso de Lula e imediatamente antes da fala de Trump no evento.

Em novembro de 2025, a pedido do governo do Brasil, Trump voltou a se encontrar com Lula, dessa vez na Malásia, onde os dois participaram como convidados da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático.

Conselho de Paz

Ao falar sobre sobre o convite formulado pelos EUA para que o Brasil participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina.

“Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança”, diz a assessoria.

Embora o território palestino tenha sido citado por Trump como foco central do novo órgão, Gaza não aparece explicitamente no texto do estatuto. Durante a ligação, os dois presidentes combinaram uma visita de Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro. A data exata ainda será definida em breve, segundo o Planalto.

Vários países importantes no cenário internacional já rejeitaram o convite de Trump para compor o Conselho da Paz ou ainda não responderam, alegando necessitarem de tempo para entender o objetivo e a abrangência da iniciativa. Entre os que declinaram estão Reino Unido, França, Espanha e Itália, aliados dos EUA na Europa. O Brasil ainda está estudando a proposta, assim como a China e a Rússia, mas a tendência é a rejeição devido à percepção de que o órgão proposto por Trump — que se arrogou sua presidência vitalícia — seria mais um instrumento na realização dos objetivos de política externa do republicano.

Segundo reportagem do jornal O Globo, se o escopo for reduzido à situação em Gaza, as chances de o Brasil aderir aumentariam, afirmam auxiliares do presidente Lula. Nas palavras de um interlocutor, o Brasil não quer dar um “cheque em branco” a Trump, o que poderia contribuir para agravar o quadro de debilidade da ONU.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que ainda não há clareza suficiente sobre a natureza e as implicações do convite para integrar o Conselho da Paz de Trump. Segundo ele, o texto da carta é confuso “porque começa a falar de uma coisa e depois vai se alargando no documento anexo”, e representa, na prática, uma revogação da ONU — sobretudo na área de paz e segurança — o que seria “inaceitável”.

Reforma da ONU

Em Brasília, a avaliação é que a proposta de Trump reacende o debate sobre a necessidade de reforma da ONU, em especial do Conselho de Segurança. Segundo interlocutores, ou mudanças na ONU são implementadas ou iniciativas como as do presidente americano tendem a ganhar ainda mais espaço em um mundo no qual o multilateralismo está em xeque.

De acordo com um importante integrante do governo Lula, o novo conselho anunciado por Trump expôs limites da atual governança internacional, reforçando uma posição histórica da diplomacia brasileira: a ampliação do número de membros permanentes do órgão responsável pela paz e pela segurança globais.

Atualmente, apenas cinco países são membros permanentes do Conselho de Segurança: Rússia, Estados Unidos, França, China e Reino Unido. O Brasil defende a ampliação da participação de nações emergentes nesse colegiado. Para esses interlocutores, apenas um sistema multilateral fortalecido, representativo e legítimo é capaz de responder de forma eficaz aos conflitos contemporâneos — objetivo que, na avaliação do Palácio do Planalto, não é alcançado por iniciativas unilaterais ou pouco flexíveis. (Com informações de O Globo)

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