Quinta-feira, 05 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de março de 2026
Dados oficiais apontam um redução de 31% nos casos de Aids detectados em Porto Alegre pela da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) no período de 2015 a 2024, período em que os registros passaram de 76,7 a 52,6 para cada 100 mil habitantes. Também houve queda na mortalidade pela doença e avanços no aspecto preventivo da transmissão do HIV, inclusive de mães para bebês.
Conforme a prefeitura, dentre os aspectos que têm contribuído para a melhora dos indicadores na capital gaúcha estão a ampliação da testagem rápida e o desenvolvimento de ações voltadas a jovens em suas respectivas comunidades. Outro aspecto enaltecido é o trabalho dos Comitês de Prevenção da Transmissão Vertical do HIV e do Comitê de Mortalidade por Aids, que discutem casos com alta vulnerabilidade, para evitar desfechos desfavoráveis,
O boletim apresenta o processo que levou a capital a receber o Selo Prata de Boas Práticas para eliminação da transmissão vertical do HIV. A enfermeira Bianca Ledur Monteiro, da Vigilância Epidemiológica da SES, destaca:
“A série histórica dos últimos dez anos mostra o declínio da taxa de detecção entre gestantes, parturientes ou puérperas, ficando abaixo de 20 casos desde 2019, e, em 2025, abaixo de 15 casos por 1.000 nascidos vivos”.
No relatório da pasta municipal consta que essa redução pode ter influência direta com a ampliação de dispositivos anticoncepcionais de longa permanência (Larcs). E que isso possibilita o planejamento familiar principalmente por mulheres sob situação de vulnerabilidade.
Boletim produzido em âmbito nacional pelo Ministério da Saúde ressalta que Porto Alegre apresentou, em 2024, redução nas taxas de detecção de HIV em pacientes em geral, de gestantes com HIV e de mortalidade por Aids. No entanto, ainda apresenta a maior taxa de detecção de HIV em gestantes e na taxa bruta de mortalidade por Aids, ocupando hoje o terceiro lugar no ranking da taxa de detecção.
O mesmo documento – disponível para consulta por qualquer cidsadão no site prefeitura.poa.br – inclui recomendações para a melhoria do cenário. A enfermeira Bianca Ledur Monteiro acrescenta:
“Há a necessidade de intensificar estratégias territorializadas, intersetoriais e antirracistas, com fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, ampliação da testagem rápida em contextos de maior vulnerabilidade e ações específicas voltadas a jovens adultos, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos”.
Saiba mais
Palavra derivada da sigla que inglês significa “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”, a Aids teve seus primeiros casos registrados no mundo durante a primeira metade da década de 1980. Trata-se do estágio avançado da infecção pelo vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) – tê-lo, porém, não significa necessariamente ter a doença.
A transmissão se dá por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas, transfusão de sangue infectado ou da mãe para o filho durante a gestação, parto ou amamentação. O vírus ataca as células de defesa do corpo (especialmente os linfócitos “T-CD4+”), enfraquecendo o sistema imunológico.
Quando essa imunidade está tão baixa que o organismo não consegue mais combater infecções oportunistas, como tuberculose e certas pneumonias, deflagra-se o quadro conhecido como Aids. São sintomas comuns febre persistente, perda de peso involuntária, suores noturnos, diarreia e cansaço extremo.
Hoje a doença é considerada uma condição crônica incurável, mas perfeitamente tratável. O uso rigoroso de medicamentos antirretrovirais – fornecidos gratuitamente no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – permite que a pessoa viva com qualidade de vida e que o vírus se torne indetectável, o que também impede sua transmissão.
O uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina) continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. Igualmente importantes são a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) para casos de risco. Essas e outras informações constam no portal unaids.org.br.
(Marcello Campos)