Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de janeiro de 2026
Ao longo de mais de uma década no comando da Venezuela, o ex-ditador Nicolás Maduro e um núcleo próximo de aliados teriam acumulado um patrimônio bilionário fora do país. Levantamento de organizações venezuelanas de combate à corrupção estima que o grupo concentre cerca de US$ 3,8 bilhões (R$ 20,4 bilhões) em bens e recursos distribuídos em diferentes países. Desde 3 de janeiro, Maduro e sua mulher, Cilia Flores, estão presos em Nova York, após serem capturados em uma operação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas.
De acordo com um relatório divulgado em agosto de 2025, Maduro possuiria ao menos 745 bens ainda não totalmente identificados em 20 países, supostamente adquiridos com recursos oriundos de corrupção. Esses ativos são avaliados em cerca de US$ 3,5 bilhões, valor que se soma a outros 218 milhões de euros localizados na Europa.
Segundo a organização responsável pelo monitoramento, os recursos estariam distribuídos entre imóveis de alto padrão, relógios de luxo, iates, veículos, fundos de investimento e até cavalos de corrida. A maior parte, no entanto, estaria depositada em instituições financeiras ou mantida em dinheiro vivo, já apreendido por autoridades estrangeiras.
O relatório foi elaborado com base em dados coletados ao longo de vários anos, até maio de 2024, a partir de processos judiciais, informações de órgãos de fiscalização e reportagens da imprensa que mencionam casos em análise na Justiça. Por esse motivo, ressalta a ONG, os números apresentados são considerados conservadores.
“Esses cálculos deixam de fora bilhões de dólares em ativos e valores que ainda não foram revelados, seja porque as investigações seguem em andamento e não são públicas, seja porque as autoridades continuam identificando esquemas, operadores e facilitadores”, afirma a entidade.
Ainda segundo o documento, redes de corrupção formadas por ex-funcionários públicos e empresários ligados ao chavismo e, posteriormente, ao regime de Maduro, teriam lavado recursos ilícitos principalmente nos Estados Unidos. Espanha, Argentina, Suíça, Panamá e Colômbia também são citados como destinos do dinheiro.
Em 5 de janeiro, dois dias após a captura de Maduro, a Suíça determinou o congelamento imediato de eventuais ativos ligados ao ex-ditador no país, com o objetivo de impedir a fuga de capitais. A medida também atingiu Cilia Flores e ministros venezuelanos, mas não incluiu integrantes do atual governo interino.
“Caso procedimentos judiciais posteriores revelem que esses fundos têm origem ilícita, a Suíça garantirá que sejam devolvidos em benefício do povo venezuelano”, afirmou o governo suíço, em nota.
Já em agosto de 2025, no início da escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, a procuradora-geral americana, Pam Bondi, anunciou o congelamento de US$ 700 milhões em bens atribuídos a Maduro no território americano. Segundo o governo dos EUA, o confisco incluiu mansões, veículos de luxo, aeronaves e joias.
“Esses bens incluem dois jatos multimilionários, várias casas, uma mansão na República Dominicana, imóveis de alto valor na Flórida, uma fazenda de cavalos, nove veículos e milhões de dólares em joias e dinheiro vivo”, disse Bondi em entrevista à Fox News na época.
As investigações contra o patrimônio ligado ao chavismo não são recentes. Em 2018, a Justiça dos Estados Unidos já havia apreendido bens associados a aliados de Maduro e a seus familiares em condomínios de luxo na Flórida. No ano seguinte, 17 imóveis foram oficialmente congelados, em uma das primeiras medidas do então governo Trump para pressionar o regime venezuelano.
Entre os ativos identificados estavam um apartamento em Sunny Isles Beach, em Miami, terrenos em Wellington e quatro imóveis em Coral Gables. À época, o conjunto de propriedades foi estimado em cerca de US$ 35 milhões.