Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

Home em foco Em um ano de Trump no governo, Estados Unidos prenderam 4 mil menores em ações anti-imigração

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Há quase dez dias, Liam Ramos, um menino equatoriano de 5 anos, foi levado com o pai a um centro de detenção familiar em Dilley, no Texas. O caso ganhou repercussão internacional após a divulgação de imagens da criança usando um chapéu azul e uma mochila do Homem-Aranha, com expressão de medo. A situação, porém, não é isolada.

Dados do Deportation Data Project indicam que cerca de 3,8 mil menores foram colocados em centros de detenção familiar entre janeiro e outubro de 2025, incluindo crianças de um ou dois anos. Mais de 2,6 mil desses menores foram detidos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), o que indica apreensões dentro do território americano, e não na fronteira, marcando uma mudança em relação a administrações anteriores.

No primeiro mandato de Donald Trump (2017–2021), a detenção familiar era usada sobretudo contra pais e filhos que cruzavam juntos a fronteira terrestre. Naquele período, adultos eram processados criminalmente por entrada ilegal, enquanto as crianças eram separadas e colocadas sob custódia do governo. A política gerou forte reação internacional após a divulgação de imagens de crianças sendo retiradas dos braços dos pais. Posteriormente, autoridades admitiram que a medida tinha como objetivo dissuadir novas travessias.

Diante da pressão, Trump encerrou a prática ainda em 2018. Já o governo do democrata Joe Biden (2021–2025) firmou um acordo judicial que proibiu separações familiares na fronteira, com exceções limitadas. Agora, com os níveis de travessias ilegais em queda, o governo Trump voltou a adotar a separação familiar em alguns casos, focando em imigrantes que já vivem nos Estados Unidos.

“Não se trata de pessoas que chegam agora à fronteira. São pessoas que vivem e têm permissão para viver nos Estados Unidos. Status legais estão sendo reavaliados, inclusive de refugiados. Não há mais garantias claras”, afirmou ao jornal *The Guardian* Becky Wolozin, advogada do National Center for Youth Law.

Violação de direitos

Menores sob custódia do ICE têm proteções legais previstas no Acordo Flores, de 1997, que estabelece padrões mínimos de tratamento e proíbe a detenção de crianças desacompanhadas pelo órgão. Relatos recentes de advogados e entidades de direitos humanos, no entanto, apontam que crianças têm sido mantidas em celas sem janelas, com acesso limitado a atendimento médico e separadas de pais ou responsáveis por longos períodos.

Na terça-feira, três relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU denunciaram deportações ilegais de menores desacompanhados, inclusive crianças vítimas ou em risco de tráfico humano. Segundo os relatos, elas estariam sendo pressionadas a aceitar pagamentos de US$ 2,5 mil para se autodeportar, abrindo mão de proteções legais, ou enfrentar detenção por tempo indeterminado.

Medidas controversas

Pela Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas de Tráfico de Pessoas (TVPRA), de 2008, o cuidado de crianças desacompanhadas cabe ao Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR). A legislação garante proteção contra abusos, acesso à assistência jurídica e proíbe deportações aceleradas.

Em fevereiro, porém, o governo suspendeu o financiamento de organizações que prestam assistência legal a essas crianças. A medida é contestada judicialmente. Segundo a ONU, cerca de 26 mil menores perderam seus advogados e permanecem sob risco de remoção forçada, apesar de elegíveis a formas de proteção.

Em outra frente, uma juíza federal rejeitou, em agosto, nova tentativa da administração Trump de encerrar o Acordo Flores. O governo argumenta que o acordo incentiva a imigração irregular e dificulta a detenção e deportação de famílias, tese que segue sendo questionada por organizações de direitos humanos. (Com informações do jornal O Globo)

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