Domingo, 05 de Abril de 2026

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Em um momento de dificuldade de financiamento no campo e recorde na inadimplência no sistema bancário, lideranças do setor agropecuário se mobilizaram em torno de uma proposta que pretende alterar mais de uma dezena de leis para tentar melhorar o ambiente operacional do crédito rural e de negócios em geral no País.

Debatida na esteira de outros ajustes feitos com as leis 13.986/2020 e 14.421/2022, que facilitaram o acesso a recursos privados no campo, simplificaram a emissão e deram mais versatilidade às Cédulas de Produto Rural (CPR) e a criaram os fundos de investimentos (Fiagro), a proposta foi batizada de “Lei do Agro 3”.

Os objetivos são dar mais segurança jurídica aos atores envolvidos, sobretudo os credores em cenário de endividamento, ajustar o regramento sobre os títulos privados do agronegócio para dar mais estabilidade a esses instrumentos e ampliar a oferta de recursos, com novas estratégias de captação.

Entre as mudanças previstas estão a retirada da obrigatoriedade de apresentação de projeto técnico para custeio agropecuário; a criminalização da venda casada no crédito rural; a criação de uma casa registradora para as garantias; a criação do sistema de alienação fiduciária; a facilitação para ingresso de capital estrangeiro para a agricultura; e o aperfeiçoamento da lei para a operacionalização do fundo garantidor do agro.

A proposta, debatida pela Câmara Temática de Modernização do Crédito (Modercred) do Ministério da Agricultura, foi finalizada em março e será levada para avaliação do ministro André de Paula. Caso não haja encaminhamento no Executivo, o tema será submetido à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), para que seja apresentado como projeto de lei ao Congresso.

Na avaliação da Modercred, fragilidades do mercado atrapalham o fluxo de recursos ao agronegócio e ao financiamento da produção, como o custo elevado do capital, o excesso de burocracia para constituir garantias e a insegurança jurídica enfrentada pelos credores.

Guilherme Rios, presidente da Modercred e assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse que a ideia é garantir que o mercado do crédito privado continue em crescimento. “Consideramos que seria uma microrreforma desses instrumentos para facilitar o crédito, retirar esses entraves para as empresas de mercado de capital e produtores, mas também garantir segurança jurídica”, afirmou ao Valor.

A CNA coordenou a criação do texto. O trabalho foi liderado por José Angelo Mazzillo Júnior, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e responsável pelas Leis do Agro 1 e 2.

No caso das CPRs, principal instrumento de financiamento da produção hoje, com mais de R$ 563 bilhões em estoque, uma das propostas é deixar claro a permissão para emissão do título pelas empresas que comercializam os produtos do agro, como as revendedoras de insumos, que poderão usar fertilizantes como lastro. A avaliação é que essas companhias são elos da cadeia do agronegócio que favorecem o melhor financiamento do setor primário.

A proposta prevê a ampliação do escopo da alienação fiduciária a todos os produtos rurais definidos na Lei e uniformizado o prazo para registro dos títulos de crédito do agronegócio para 30 dias corridos, período já definido para os Certificados de Depósitos Agropecuários (CDAs) Warrant Agropecuário (WA). O plano é combater o duplo lastro, tipificando a prática como crime.

Fiagros

Em relação aos Fiagros, que somavam R$ 48 bilhões em estoque em março de 2025, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a proposta é dar simetria tributária para os FIIs, que ainda têm tributação de rendimentos na fonte, o que restringe o escopo de atuação dessa modalidade e gera fuga para fundos de direitos creditórios (FIDCs), que são isentos. Ou seja, estender a isenção aos FII.

Nos títulos, a Modercred quer permitir que as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) possam ser lastreados em CPRs. “Vimos uma oportunidade de canalizar mais recursos para o setor, pegando a carteira de CPRs e empacotando como letra de crédito”, disse Rios.

A proposta inclui comandos para melhorar a transparência dos CDA/WA, como a possibilidade de registro e de identificação dos produtos vinculados a esses papéis e seus locais de armazenamento.

Segundo Rios, haverá um esforço específico para aumentar a atração de capital externo ao agronegócio. Uma das propostas é isentar de tributação de imposto de renda o investimento estrangeiro no setor, com a extensão do tratamento dado a aportes em títulos públicos atualmente. Outra desoneração prevista é para o IOF nas operações de câmbio nos CRAs.

Demais títulos do agro

Outra mudança é a denominação em moeda estrangeira para os diversos títulos (CPR, LCA, CDCA, CRA, CR e Fiagro), além da permissão para abertura de conta em moeda estrangeira para gestão da securitização de instrumentos registrados no exterior ou em moeda estrangeira. “A intenção é possibilitar que o produtor com hedge natural tenha acesso a esses mercados para ter crédito direto e fortalecer as linhas em dólar”, afirmou Rios.

Há ainda a proposta para permitir o investimento do capital estrangeiro em Fiagro de terras, com prazo determinado e estrutura de gestão profissional no Brasil, com o propósito de obter retorno por meio de apreciação do capital investido, renda ou ambos.

No caso do fundo garantidor, a proposta retira limites de aportes do governo previstos em lei e deixa em aberto a possibilidade de abastecimento do FGO. Também serão incluídas operações de custeio no rol da carteira garantida pelo mecanismo. As informações são do site Globo Rural.

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