Sábado, 21 de Março de 2026

Home Colunistas Encerramento da BIOTECH FAIR projeta futuro mais verde

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O Congresso de Bioenergia trouxe painéis de grande relevância, e este colunista teve a honra de mediar dois deles. O primeiro, sobre biocombustíveis, estratégia, projetos e escala, contou com a participação de Ana Lúcia Fialho, diretora-adjunta de energia do governo do Rio Grande do Sul, que apresentou os programas estaduais em andamento e destacou a importância da biomassa, do biogás e dos biocombustíveis na estruturação de um mercado verde cada vez mais robusto.

Gabriel Viana, consultor de Mercados Agrícolas da Safra&Mercado, trouxe uma análise da dinâmica dos mercados, ressaltando como a bioenergia se integra às cadeias produtivas agrícolas. Já Valdir Pedro Zonin, um dos idealizadores da Lei Estadual nº 15.641/2021, que instituiu o programa PRÓ-ETANOL/RS, apresentou o projeto ZG Biorrefinaria, sediado em Viadutos, no norte gaúcho.

Este empreendimento prevê a produção de biomassa oriunda de diversas culturas, convertida em combustível de baixo carbono, com impacto positivo na renda de cerca de 10.000 famílias de 42 municípios do norte do Rio Grande do Sul e sul de Santa Catarina. Além da relevância econômica, o projeto tem forte dimensão social, criando oportunidades de trabalho para jovens e fomentando novos negócios locais.

Um ponto essencial discutido foi a complementaridade entre a produção de alimentos e de biomassa: enquanto alimentos exigem maior qualidade e destinação ao consumo humano, a biomassa para combustível pode ocupar áreas e períodos do ano com culturas de inverno ou excedentes agrícolas, gerando renda adicional para a agricultura familiar sem comprometer a segurança alimentar.

Na exposição paralela ao congresso, diversas empresas apresentaram soluções para esta nova economia. A Turbimaq Brasil, de São Paulo, trouxe sua turbina de ação em contrapressão movida a vapor, que gera energia elétrica por meio de cogeração — processo em que a mesma fonte energética produz simultaneamente eletricidade e calor útil. Essa tecnologia pode ser aplicada em setores como o madeireiro, bebidas, biomassa, naval, papel e celulose, químico, siderúrgico e sucroenergético.

Segundo o gerente comercial Silvio Sila Geraldini, a cogeração garante maior autonomia e segurança energética, especialmente em locais onde a rede elétrica já não suporta sobrecarga. Outra novidade veio da Unztop, empresa de Bento Gonçalves, que apresentou seu fotobiorreator autoclavável de bancada, desenvolvido para o cultivo de microalgas. Essa tecnologia permite a produção de biomassa de alto rendimento e livre de contaminantes, com aplicações em pesquisa, indústria química, farmacêutica e agroindustrial. O uso de algas como insumo reforça o caráter inovador e sustentável das soluções apresentadas na feira.

O encerramento da BIOTECH FAIR deixou claro que o setor de bioenergia e biotecnologia está em plena expansão. Mais do que um “gostinho de quero mais”, o evento mostrou que o mercado verde brasileiro está se consolidando com força e diversidade de projetos. A expectativa é que em 2027 o movimento seja ainda maior, com novas tecnologias e modelos de negócios que deverão ser apresentados na próxima edição. A feira não apenas celebrou conquistas, mas também lançou sementes para um futuro em que inovação, sustentabilidade e desenvolvimento social caminham lado a lado.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com

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