Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026

Home Política Enquanto não assume a cadeira de ministro do Supremo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, terá de prestar esclarecimentos sobre a atuação da AGU na ação que trata das manifestações ofensivas da Marinha do Brasil

Compartilhe esta notícia:

Enquanto não assume a cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, terá de prestar esclarecimentos sobre a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) na ação que trata das manifestações ofensivas da Marinha do Brasil sobre João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata, em 1910.

Em ofício enviado a Messias, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), presidido por Ivana Leal, manifesta “preocupação institucional” com a contestação apresentada pela AGU na ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que pede R$ 5 milhões por dano moral coletivo e questiona declarações da Marinha consideradas ofensivas à memória do líder negro.

A ação judicial foi proposta após manifestações oficiais divulgadas pela Marinha que, segundo o MPF, desconsideram o contexto histórico da revolta e a trajetória de João Cândido. O episódio, ocorrido no início do século XX, envolveu marinheiros que se insurgiram contra a aplicação de castigos físicos, como a chibata, prática então prevista nos regulamentos disciplinares da corporação. A revolta tornou-se um marco na discussão sobre direitos, hierarquia militar e igualdade racial no Brasil.

Na peça apresentada à Justiça, a AGU sustentou que as manifestações da Força configuram “mero registro histórico”, sem caráter discriminatório, e classificou a revolta como “insubordinação grave” e “ameaça à ordem pública e ao Estado de Direito”. Também afirmou que impedir novas declarações representaria “censura institucional” e violação à separação de Poderes, argumentando que a interpretação histórica adotada pela instituição estaria amparada na autonomia administrativa e na liberdade de expressão institucional.

Para o CNDH, contudo, a forma como o Estado qualifica episódios marcados por violações de direitos humanos impacta diretamente os deveres de memória, verdade e justiça. O conselho alerta que tratar a revolta apenas como ato de insubordinação, sem reconhecer o contexto de punições físicas impostas a marinheiros – em sua maioria negros – pode esvaziar simbolicamente essa memória e comprometer obrigações constitucionais e internacionais assumidas pelo Brasil.

No ofício, Messias é instado a informar se a AGU ratifica os fundamentos da contestação, se considerou parâmetros constitucionais e tratados internacionais sobre memória e vedação a tratamento degradante, se houve consulta a órgãos de igualdade racial ou direitos humanos e se adotará providências para alinhar a atuação da União a esses compromissos. O documento também solicita esclarecimentos sobre eventuais medidas internas para prevenir interpretações oficiais que possam ser compreendidas como desrespeitosas à memória de personagens históricos ligados à luta por direitos. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Senado oferece ajuda da Polícia Legislativa para segurança de Daniel Vorcaro em depoimento
Ministro do STJ acusado de assédio sexual recebe alta após internação
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News