Sábado, 01 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de julho de 2026
A Polícia Federal (PF) apontou mais indícios de que o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA) e secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, cobrou dinheiro do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, para pagar um imóvel de luxo ao senador. A investigação traz uma nova troca de mensagens entre Sodré Martins e Lima. O ex-líder do governo Lula no Senado é suspeito de atuar em favor do banco alvo da PF.
A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Segundo os investigadores, a estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas contra o Banco Master. A cobrança pelos pagamentos coube a Sodré Martins, segundo a investigação.
O diálogo aconteceu em 1º de setembro de 2025. O enteado de Jaques escreve a Lima: “Irmão bom dia! Tudo bem? Se puder ter alguma previsão, vc me fala?”, ao que o empresário responde: “Blz irmão. Em cima aqui. Abração”.
Três dias depois, Sodré Martins reforça a cobrança ao então sócio do Master: “Amigo, tudo bem? Preciso de sua ajuda. Amanhã vence (sic)os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não irei ficar devendo, concorda?”.
Augusto Lima enviou reportagens sobre a liquidação do Master e afirmou: “Acredite que estou tentando e se tem alguém que (quer) resolver sou eu. Infelizmente como lhe disse a situação está crítica. Deve ter visto o que aconteceu né? Mas estou firme querendo resolver. Se for o caso cancele a nota e depois você emite outra. Assim que tiver a disponibilidade”. Em seguida, enviou uma imagem que diz: “Juntos somos mais fortes”.
Lima é ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e foi o responsável por implementar no governo da Bahia, quando Wagner era governador (2007-2014), um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.
Secretário
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), manifestou confiança pública em seu secretário do Meio Ambiente, Eduardo Sodré Martins, acusado pela PF de cobrar dinheiro do ex-sócio do Master para pagar um imóvel de luxo a Jaques Wagner.
No último dia 29, duas semanas após o senador petista e o secretário estadual serem alvos da PF, o governador alegou não haver “qualquer tipo de provas” contra Sodré Martins, ao contrário do que mostra a investigação.
“De forma nenhuma nós vamos fazer afastamento sem qualquer tipo de motivação concreta, de provas. Eduardo é advogado, está se defendendo. Para ele, para a família, minha solidariedade. Mas não está no script qualquer afastamento de nenhum secretário por motivo do que está acontecendo, de denúncias ou qualquer tipo de julgamento. Não há julgamento para que a gente possa definir ou determinar a saída de qualquer secretário”, disse o governador da Bahia.
A PF afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que identificou 74 ligações telefônicas entre o senador e o ex-sócio do Master. No total, Jaques e Augusto Lima conversaram durante pelo menos cinco horas e meia pelos celulares.
Segundo a corporação, o então líder do governo Lula no Senado e o sócio do banqueiro Daniel Vorcaro tinham “nítida preferência” por conversas telefônicas, em vez de mensagens. E que se falavam várias vezes em um mesmo dia. Os diálogos vão de novembro de 2023 a maio de 2025, durante o governo Lula. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)