Terça-feira, 10 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de março de 2026
A combinação de tensões no exterior e inflação ainda resistente no Brasil voltou a colocar a política de juros no centro das discussões do mercado financeiro. A guerra no Oriente Médio pode exercer influência na próxima decisão do Banco Central (BC) sobre a taxa Selic.
Para André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a disparada recente do petróleo é um fator que muda o humor global. Segundo ele, quando o barril sobe de forma abrupta, aumentam os riscos inflacionários no mundo inteiro – inclusive no Brasil – e isso acaba alterando a trajetória esperada para os juros. “Os riscos inflacionários nos Estados Unidos, no mundo todo e também no Brasil aumentam”, afirmou.
Expectativa com o Copom
Nesse ambiente mais incerto, a expectativa para a próxima decisão do Banco Central tende a ser mais moderada. Galhardo lembra que o próprio diretor de política monetária, Newton David, já sinalizou que um eventual corte de juros não deve ser interpretado como o início de um ciclo longo de reduções. “Trata-se apenas de uma calibração, um ajuste pontual”, disse o economista, acrescentando que começar a cortar juros e depois precisar voltar atrás seria prejudicial para a credibilidade da autoridade monetária.
Inflação resistente
No radar imediato está a inflação corrente. Galhardo projeta que o IPCA de fevereiro avance cerca de 0,69%, pressionado principalmente por reajustes típicos do começo do ano, como tarifas de transporte público e mensalidades escolares. Para o acumulado de 2026, a expectativa da consultoria é de uma inflação entre 4% e 4,2%, indicando que boa parte dessas pressões tende a ser temporária.
Cautela
Essa leitura de cautela também aparece na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Ele observa que o Banco Central brasileiro costuma adotar uma postura conservadora em momentos de incerteza. “O posicionamento é muito mais cauteloso, e isso é uma característica que se costuma observar nas decisões do Copom”, explicou. Na prática, isso pode significar um corte menor de juros do que parte do mercado imaginava.
Redução menor na Selic
Segundo Lima, em vez de uma redução de 0,50 ponto percentual, o movimento mais provável seria algo em torno de 0,25 ponto, justamente para evitar decisões precipitadas. Ele lembra que a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, veio acima do esperado e mostrou certa resistência dos preços. “Se essa resiliência aparecer também no indicador oficial, começa a acender um sinal amarelo”, afirmou, destacando que a inflação projetada gira em torno de 4,44% no ano, com variação mensal próxima de 0,33%.
Cenário externo controverso
Para o analista, o desafio é que o cenário externo já traz ruídos suficientes, do petróleo às tensões geopolíticas. Se a inflação doméstica também mostrar força, o espaço para cortes de juros fica ainda mais limitado. Nesse caso, explica Lima, o Banco Central tende a segurar o passo para preservar a credibilidade e evitar mudanças bruscas na política monetária – uma cautela que o mercado, mesmo impaciente, já começa a entender. As informações são da revista Veja.