Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de setembro de 2026
Desde terça-feira (1º), com a quebra do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF), mensagens enviadas pelo dono do banco Master, Daniel Vorcaro, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, se tornaram de conhecimento público. Mas as respostas de Moraes ao ex-banqueiro permanecem em mistério.
Em resumo, isso aconteceu pelo fato do celular analisado ter sido o de Vorcaro e porque a forma utilizada para o envio das mensagens só permitia a visualização do conteúdo uma única vez. Entenda:
Ao periciar o celular de Daniel Vorcaro, a PF encontrou um padrão: ele escrevia mensagens no aplicativo Notas, tirava um print de tela e transformava a mensagem em uma foto, que era enviada via WhatsApp como visualização única para o ministro.
O relatório também detalha que a partir da extração de dados foi possível notar que o uso do aplicativo Bloco de Notas era sempre seguido à abertura do WhatsApp.
Nos registros, é possível ver que Moraes também respondia a Vorcaro por meio de imagens, mas não foi possível saber o que havia em suas mensagens porque o celular do magistrado não passou por perícia.
Sistema do iPhone
No relatório, a PF detalha que usou um software forense que analisou vestígios digitais que permaneceram no celular de Vorcaro.
“A partir da estrutura de dados previamente processada pela ferramenta — em especial da categorização e da indexação dos arquivos —, foi possível realizar a filtragem do material por categoria de arquivo, bem como a pesquisa por palavras-chave na modalidade busca indexada, que, por consultar o índice gerado na etapa de processamento, dispensa a varredura exaustiva do conteúdo e assegura a celeridade exigida pela requisição”, diz o documento.
O que tornou possível acessar os textos enviados por Vorcaro mesmo após eles terem sido apagados foi um detalhe do sistema operacional do iPhone, que converteu automaticamente os conteúdos exibidos na tela em um documento no formato PDF e os armazenou provisoriamente em uma área interna do sistema.
Segundo a PF, essa é uma característica do iPhone ao perceber que determinadas ações são rotineiras do usuário, fazendo com que o arquivo permaneça ainda algum tempo disponível no dispositivo.
“Dessa forma, a presença de arquivos PDF com conteúdo idêntico ao dos blocos de notas capturados demonstra que tais textos foram efetivamente exibidos e manipulados no aparelho examinado, funcionando como registro involuntário deixado pelo próprio sistema e corroborando a dinâmica descrita”, diz o relatório. (Com informações do portal Terra)