Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Home Brasil Escândalo em banco estatal: ex-presidente da Caixa pode ter que pagar 30 milhões de reais por causa de assédio moral e sexual

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Nesta quinta-feira (29), o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com ação na Justiça para que o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães seja condenado a pagar R$ 30,5 milhões pelos danos causados às mulheres que o acusam de assédio moral e sexual. A ideia é destinar o dinheiro a um fundo de proteção dos direitos dos trabalhadores.

As denúncias se tornaram de conhecimento público em junho, quando algumas ex-funcionárias, que já tinham acionado a Justiça, relataram as denúncias também para a imprensa. Os procuradores também solicitaram a condenação dos integrantes do Conselho de Administração da Caixa à época a pagar R$ 3 milhões pela “omissão de cada um em fiscalizar os atos” de Pedro Guimarães.

Na ação civil pública agora ajuizada, os procuradores apontam que, durante a gestão de Pedro Guimarães, houve “uma onda de afastamento por doenças mentais”. Ainda conforme o documento, a média anual de afastamentos por enfermidades dessa natureza passou a ser de 354 funcionários por ano. Antes de Guimarães, a média de afastamentos médicos mentais era de 277 por ano.

Em nota, a defesa de Guimarães afirmou que o MPT agiu de fomra “açodada” e que a ação civil pública tem caráter eleitoreiro:

“O Ministério Público, de maneira açodada e às vésperas da eleição, ajuíza uma ação manifestamente improcedente e eleitoreira.Pedro Guimarães, que juntamente com a sua equipe ganhou todos os prêmios durante a sua gestão na Caixa Econômica Federal, nega categoricamente a prática de qualquer ato irregular”, escreveram os advogados.

Por meio de um comunicado oficial, a atual direção da Caixa afirmou não tolerar “qualquer tipo de desvio de conduta por parte de seus dirigentes” e garantiu que, desde que soube das investigações, tem procurado tomar medidas para coibir o assédio:

“A Caixa Econômica Federal e seu Conselho de Administração reiteram que não toleram nenhum tipo de desvio de conduta por parte dos seus dirigentes ou empregados e que, desde que tomaram conhecimento das acusações, adotaram todas as providências necessárias para investigar as denúncias, proteger os denunciantes, os empregados do banco e a própria instituição”.

Relatos

Os procuradores ouviram testemunhas que contaram que Guimarães fazia brincadeiras constrangedoras com os funcionários, como: jogar pessoas no rio, colocar pimenta na comida delas e determinar que fizessem exercícios militares, além de filmar servidores em situação desconfortável, com posterior divulgação em suas redes sociais.

“Praticamente todas as testemunhas relataram que o ex-presidente gritava e se utiliza frequentemente de palavrões, a caracterizar assédio moral por stress, medo, injúria”, argumentaram os procuradores.

O MPT afirma que Pedro Guimarães era uma pessoa violenta. Uma das testemunhas ouvidas no processo afirmou que durante uma reunião a trabalho, o ex-presidente da caixa “virou a mão e bateu na xícara de café em sua direção, que o café agarrou no seu rosto, que o depoente ficou paralisado com as gotas de café caindo no seu olho” e que “depois disso o presidente disse gritando que a reunião estava terminada, saiu e bateu a porta bem forte”.

No mesmo documento, os procuradores anexaram relatos de que Guimarães, em momentos de raiva, quebrava celulares fornecidos pela Caixa. No período em que esteve na presidência do banco estatal, Guimarães recebeu cinco aparelhos corporativos.

Omissão

O MPT acrescentou que a primeira denúncia de assédio sexual contra o ex-presidente da Caixa aconteceu em julho de de 2019, quando Guimarães estava há apenas seis meses no exercício do cargo. Mas, segundo os procuradores, a empresa não adotou qualquer providência para investigar a denúncia.

” Muito pelo contrário, pois usou de subterfúgios para não arquivar a denúncia – como o fez – e ainda tentou esconder o fato do Ministério Público do Trabalho”, escreveram os procuradores. Devido à suposta omissão, o MPT pediu a condenação da Caixa Econômica Federal em R$ 305 milhões pela omissão na investigação.

Os procuradores também solicitaram que a Justiça determine que a Caixa abstenha-se de praticar ou permitir a prática de quaisquer atos que importem a retaliação a pessoas que utilizem o canal de denúncias interno ou que tenha participado como testemunha em investigação do Ministério Público ou dos demais órgãos de fiscalização.

 

 

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