Sábado, 26 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de setembro de 2026
Alexandre de Moraes é peça central num “escândalo explosivo” que vem redesenhando a acirrada eleição presidencial brasileira. A descrição é do jornal New York Times, que reportou a crise sem precedentes nas instituições do país após a divulgação de mensagens que teriam sido trocadas pelo ex-banqueiro preso por fraude Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O NYT destaca que a celeuma “energizou a direita” e angariou apoio para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Planalto.
O texto começa com um relato de como Moraes já era uma “figura polarizadora” no Brasil: sua atuação no combate a fake news online e nos processos da trama golpista o tornaram um “herói” que protegeu a democracia, para uns, e um “vilão” que utilizou meios autoritários para atingir a extrema direita, para outros. O NYT ressalta que, agora, o ministro está sob escrutínio público pelo “dossiê policial incriminador” tornado público por um colega de Corte. E citou que o ministro André Mendonça, da mesma forma, também virou alvo de críticas por uma suspeita de atuar com motivação política.
O jornal citou mensagens em que Vorcaro pede ajuda para evitar a prisão e trata de um contrato milionário com a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes — ponderou, contudo, que a polícia nunca chegou ao conteúdo de respostas de Moraes nem pôde concluir que o magistrado auxiliou o ex-banqueiro de alguma forma. Ainda assim, “da noite para o dia, a revelação se tornou uma importante questão eleitoral, indignando os brasileiros”, complementou.
Para o NYT, um dos impactos imediatos se deu na campanha de Flávio Bolsonaro, que teria “angariado apoio” com a crise. Foi Moraes quem mandou prender o pai do candidato, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob a acusação de tentar um golpe de Estado após as eleições de 2022. O senador “se apressou” em associar o magistrado ao rival Lula e reunir a direita contra um “poderoso inimigo comum”. Segundo o jornal, o petista passou a enfrentar as consequências de uma crise institucional que “manchou a reputação” do ministro do STF, descrito como “um importante aliado” do petista.
“A crise que assola o Judiciário proporcionou mais uma vantagem para o Sr. Bolsonaro. Ela eclipsou as revelações de que ele próprio está sendo investigado pelas autoridades por ter recebido milhões de dólares do Sr. Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai”, acrescentou o NYT, sobre as investigações dos recursos repassados a pedido do ex-banqueiro para a produção de “Dark horse”.
O New York Times afirmou que Moraes “desempenhou um papel fundamental” na defesa da integridade da votação de 2022 e na garantia de uma transição pacífica de poder. No entanto, pontuou o jornal, o magistrado “prendeu pessoas sem julgamento e censurou discursos online, com pouca transparência ou possibilidade de recurso”. Esse debate sobre atitudes supostamente autoritárias de Moraes, inclusive, chegou a Washington, atraindo “a ira” do presidente americano, Donald Trump.
O jornal afirma que a crise, além de abalar a campanha presidencial, suscitou questionamentos sobre a saúde de uma instituição vital. Agora, diz o NYT, o próprio STF se viu no centro de uma tempestade política, com novas revelações do Sr. Vorcaro sobre outros ministros, inclusive o presidente da autoridade eleitoral do país, Nunes Marques.
“Cada vez mais, o tribunal tem sido visto como tomando partido político”, escreveu o NYT. “Com o ministro Moraes afastado e a confiança pública em frangalhos, especialistas temem que o tribunal possa ter dificuldades para repelir novos ataques às instituições brasileiras, como a interferência eleitoral dos Estados Unidos , a desinformação impulsionada por inteligência artificial ou uma votação contestada caso Bolsonaro perca”. (Com informações do jornal O Globo)