Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de janeiro de 2026
A ofensiva da Polícia Federal (PF) sobre o escândalo envolvendo as fraudes nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encontrou menções a um dos filhos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em três diferentes momentos da apuração. Por isso, a PF informou que investiga se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o governo federal. O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Procurada, a defesa de Fábio Luís disse que ele nunca teve relação com o INSS e classificou as citações como “ilações”. Na representação enviada ao ministro André Mendonça – relator do caso no STF –, os investigadores ressalvam que o filho do presidente foi mencionado em conversas de terceiros, mas até agora não foi encontrado nenhum elemento que indique sua participação direta nos fatos sob investigação.
A hipótese apurada pela PF é se Fábio Luís manteve uma sociedade oculta com Antônio Camilo por meio de uma amiga em comum: a empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro. A empresária firmou um contrato de consultoria com o Careca do INSS para ajudá-lo na prospecção de negócios com o governo federal e recebeu R$ 1,5 milhão do empresário. As defesas deles negam irregularidades.
A PF citou que Lulinha “poderia atuar como sócio oculto” do Careca do INSS, por intermédio de Roberta. “A fim de dar transparência à investigação para todos os atores da persecução penal, a partir da relação estabelecida entre ANTÔNIO CAMILO e ROBERTA LUCHSINGER, vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto entre ANTÔNIO CAMILO e terceiro que, em tese, poderia atuar como sócio oculto, por intermédio da mencionada ROBERTA, que funcionaria como elo entre ambos. Tal pessoa pode ser FÁBIO LULA DA SILVA.”
Em sua representação, a PF disse que esses fatos serão verificados com o objetivo de cumprir sua missão constitucional “livre de interferências externas ou narrativas políticas”. Essas informações sobre o filho do presidente serão analisadas a partir do material apreendido nessa última fase.
“Cumpre destacar que, até o presente momento, não há indícios de que FÁBIO LULA esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos. No meio político é comum que indivíduos afirmem deter proximidade ou influência junto a terceiros com o objetivo de obter vantagens diversas. Em investigações policiais, tais afirmações devem ser analisadas com cautela e submetidas a verificação rigorosa, a fim de evitar conclusões precipitadas”, diz a representação.
A PF destaca que vai analisar as menções com cautela e diz que “adotará todas as providências necessárias” para apurar a verdade dos fatos. “As referências colhidas até o momento apontam para menções realizadas por terceiros e vínculos indiretos, que sugerem a possível participação de FÁBIO LULA em movimentações destinadas a fomentar projetos empresariais de ANTÔNIO CAMILO.”
O Careca do INSS está preso desde setembro do ano passado, sob suspeita de liderar um esquema milionário de descontos indevidos nas aposentadorias do INSS mantido mediante pagamentos de propina a agentes públicos. Na última fase, também foi preso seu filho, Romeu Antunes.
Antes da revelação desses detalhes da investigação sobre Lulinha, a CPI do INSS votou um requerimento de convocação do filho do presidente, mas ele foi rejeitado por pressão da base governista. Após a última fase da operação da PF, um novo requerimento foi apresentado e deve ser colocado em discussão na volta do recesso, no início de fevereiro.
Questionado anteriormente sobre o assunto, o presidente Lula chegou a dizer que “se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)