Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de janeiro de 2026
Celulares, TVs e outros produtos eletrônicos podem ficar mais caros por causa da crise global de chips de memória RAM. É o que afirma TM Roh, CEO da Samsung. Essencial para o funcionamento desses dispositivos, a memória RAM está em falta no mercado, o que tem elevado os custos de produção.
Especialistas já haviam alertado, em dezembro, que celulares e outros eletrônicos podem ficar mais caros em 2026 por causa desse cenário.
“Como esta situação é sem precedentes, nenhuma empresa está imune ao seu impacto”, disse Roh em entrevista à agência Reuters.
Na entrevista, o executivo não descartou o aumento dos preços de produtos como telefones celulares, TVs e eletrodomésticos e afirmou ser “inevitável” que eles sofram algum impacto.
Ao mesmo tempo, Roh afirmou que a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, trabalha em estratégias de longo prazo com parceiros para reduzir os efeitos da crise.
A memória RAM, sigla para Random Access Memory, armazena temporariamente os dados que o dispositivo está usando naquele momento.
Ao abrir um aplicativo ou jogo, as informações necessárias para seu funcionamento ficam na RAM. Quando o aparelho é desligado, esses dados são apagados, o que faz da RAM uma memória de curto prazo.
A memória RAM é medida em Megabytes (MB) ou em Gigabytes (GB). Quanto maior a quantidade, melhor tende a ser o desempenho. Um celular com 12 GB de RAM, por exemplo, consegue executar mais tarefas ao mesmo tempo do que um com 3 GB.
Embora seja mais associada a celulares e computadores, a memória RAM também está presente em outros dispositivos do dia a dia, como:
* smart TVs;
* tablets;
* consoles de videogames;
* relógios inteligentes;
* aspiradores robô;
* carros;
* impressoras.
O avanço da inteligência artificial (IA) está no centro dessa crise. Fabricantes passaram a direcionar investimentos e produção para chips mais avançados, usados em data centers de IA, reduzindo a oferta de memórias tradicionais.
Segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, os investimentos pesados em chips de inteligência artificial e grandes data centers reduziram a disponibilidade de componentes para a fabricação de memória RAM.
Vizaco afirma que as fabricantes passaram a priorizar memórias mais avançadas, usadas em data centers de IA, por serem mais lucrativas. Como resultado, a produção de modelos mais antigos caiu e os estoques diminuíram. Com menos unidades disponíveis, a escassez dos chips pode gerar dois efeitos principais, segundo especialistas:
* levar empresas a vender produtos com menos memória do que o ideal;
* encarecer dispositivos.
No Brasil, o impacto pode ser ainda maior por causa de fatores como câmbio, impostos e custos logísticos, segundo Márcio Andrey Teixeira, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE).
Vizaco afirma ainda que consumidores podem começar a ver celulares com configurações mais simples sendo vendidos pelo mesmo preço de antes.
Em evento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), no início de dezembro, Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil e que faz parte da entidade, afirmou que “setores como o de tecnologia e o automotivo correm o risco de sentir esses impactos, especialmente a partir de 2026”.
“No passado, a escassez era pontual e ligada a problemas de produção em fábricas, agora temos um novo cenário devido à IA”, completa Mauricio.
Paulo Vizaco, da Kingston, afirma que o cenário ainda é incerto. “Tudo é muito novo [o crescimento rápido da IA e o aumento da demanda]. Será preciso acompanhar o mercado com atenção”, diz.
“Os preços já subiram nas últimas semanas. No médio prazo, precisaremos acompanhar o comportamento do mercado para entender o que irá acontecer. Na Kingston, nosso planejamento de longo prazo atua justamente para minimizar esses problemas e manter o abastecimento no Brasil o mais estável possível durante esse período”, diz Vizaco.
A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips, afirmou a analistas que a escassez de memória pode durar até o fim de 2027, segundo a Reuters. (Com informações do portal de notícias g1)