Domingo, 07 de Junho de 2026

Home Política Especialistas dizem que ofensiva de Trump contra o Brasil favorece a reeleição de Lula

Compartilhe esta notícia:

A ameaça de taxação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil tendo como um dos alvos o Pix pode render mais dividendos eleitorais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que a classificação pela Casa Branca do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) rendeu para seu principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo especialistas.

Na opinião do economista Maurício Moura, que coordena pesquisas de intenção de voto pelo instituto Ideia, “um ataque ao Pix tem todos os atributos para ter um efeito na opinião pública maior do que teve o tarifaço contra o País no ano passado”. Moura diz que, no tracking diário feito pelo Ideia, ainda não houve efeito das investidas do presidente Donald Trump contra o Brasil, mas a informação demora alguns dias para decantar no contingente do eleitorado não polarizado que é mais permeável ao noticiário para decidir o voto.

De acordo com Moura, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas não saiu das bolhas eleitorais. “O bolsonarismo se animou com as medidas por acreditar que se trata de medidas efetivas contra o crime organizado e o lulismo adotou a narrativa de que houve uma afronta à soberania nacional”.

Deste modo, o principal ganho que Flávio teve com o anúncio da Casa Branca na quinta-feira, dia 28, foi o de energização de sua base, contendo o efeito negativo desencadeado pelo seu envolvimento no escândalo do Banco Master, que veio à tona no dia 13. “É uma tática comum de políticos em momento de crise se voltarem para a sua base mais dura, para garantirem não serem abandonados”, comentou.

Uma onda de tarifas americanas contra o Brasil em função de Pix, na visão de Moura, terá um impacto transversal na sociedade. “Isso tem maior potencial para captar o eleitor independente, pelos impactos econômicos e por ter efeitos muito mais tangíveis no dia a dia”, observou.

O trunfo de Flávio, neste momento de inferno astral de sua pré-campanha, é o começo da Copa do Mundo. O Brasil deve entrar em campo contra o Marrocos no próximo sábado, dia 13. “O efeito da Copa do Mundo sempre é anestésico na opinião pública, monopolizando completamente a atenção. Isso faz com que a crise com os Estados Unidos ao menos temporariamente deixe de ser notada”, disse.

Para o diretor-executivo do grupo Eurasia para as Américas, Christopher Garman, o saldo da ofensiva de Trump, por enquanto, favorece mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A minha percepção é que a declaração do PCC e do CV colocava o Planalto em uma situação difícil perante a opinião pública, mas o uso de sanções com base na Seção 301 claramente beneficiam Lula. Com isso o placar fica 1 a 1 e o governo joga com a vantagem do empate”, disse.

A leitura de Garman, contudo, é que as iniciativas da Casa Branca ainda não configuram uma interferência direta nas eleições brasileiras. Para ele, essa interferência ainda está por acontecer, e virá com um endosso formal do presidente americano Donald Trump à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e não será significativa. “Será um apoio de impacto limitado no quadro eleitoral. A expressão ‘interferência’ nem me parece apropriada para descrever o significado disso”. Garman avalia que Trump se preocupará em deixar portas abertas para o diálogo com o Brasil caso Lula se reeleja.

O que houve por ora, de acordo com Garman, está mais relacionado com a eleição congressual nos Estados Unidos em novembro, para as quais o Partido Republicano de Trump está em desvantagem, de acordo com pesquisas de intenção de voto locais. “A Casa Branca vai se voltar para a América Latina depois de resolvida a guerra com o Irã, dentro de uma estratégia ampla para validar as políticas de Trump em relação à imigração. Neste sentido, vincular suas ações ao combate contra o narcotráfico reforça sua mensagem aos eleitores americanos”, diz Garman.

O diretor da Eurasia lembra que os Estados Unidos já classificaram como terroristas facções de seis países: México, Haiti, Colômbia, Venezuela, Equador e El Salvador. Os dois últimos aliados políticos incondicionais da Casa Branca. “As repercussões econômicas desta classificação nestes países até o momento são menores do que as que se projetam para o Brasil. Aumentou o custo de compliance, mas não afugentou investimentos no México. No Brasil não deve ter a mesma escala”, aposta. (Com informações do Valor Econômico)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

MEC prorroga inscrições para Enem 2026 por mais uma semana, com 3 milhões de candidatos confirmados
Especialistas dizem que ofensiva de Trump contra o Brasil favorece a reeleição de Lula
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News