Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026

Home em foco Estados Unidos e petroleiras negociaram manutenção do chavismo no poder

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Muitos meses antes do ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, na madrugada do último sábado, companhias petroleiras – entre elas, destaque para a americana Chevron –, empresas venezuelanas vinculadas ao setor petroleiro e representantes do regime chavista e do governo de Donald Trump iniciaram conversas e negociações sobre o futuro do setor mais importante da economia venezuelana. Do lado americano, uma das peças-chave desse diálogo foi o diplomata Richard Grenell, conhecido na Venezuela como Ricky Grenell, nomeado enviado de Trump para a Venezuela no início do segundo mandato do republicano.

As informações foram confirmadas por fontes em Caracas que acompanharam as reuniões, muitas delas nos EUA. Empresas venezuelanas que atuam no setor petroleiro como prestadores de serviços “iam e vinham de Washington”. Já nos últimos meses do ano, afirmaram fontes venezuelanas, “foi ficando claro para todos os empresários envolvidos, americanos e venezuelanos, que a negociação sempre seria com o chavismo. A líder opositora María Corina Machado foi descartada não apenas por Trump, mas também pela Chevron e outras companhias petroleiras”.

As conversas entre Maduro e Trump não prosperaram basicamente por uma divergência central: a saída imediata do chavista do poder. “Maduro aceitava abrir o setor petroleiro, como quer Trump, mas queria um período de dois a três anos para organizar sua saída. Trump não aceitou e veio o ataque. Mas em matéria de petróleo, as conversas sempre avançaram”, frisou uma das fontes consultadas.

Tanto avançaram, que na madrugada de sábado (3) Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (AN, o congresso venezuelano) e irmão da agora presidente interina Delcy Rodríguez, telefonou para seus interlocutores nos EUA para saber por que o país estava atacando a Venezuela se as negociações sobre petróleo estavam “indo bem”, comentou outra fonte. “Nesse telefonema, Jorge foi informado que tinham capturado Maduro”, acrescentou a fonte.

Boas relações

Hoje, com o presidente venezuelano nos EUA enfrentando um processo judicial, os irmãos Rodríguez estão dando continuidade ao que começou muito antes do ataque. A relação de ambos com o setor privado e com Grenell flui bem. A presidente interina é bem vista por empresários locais e federações como a Fedecámaras — a mesma que foi peça-chave no golpe contra Hugo Chávez em abril de 2002.

Nos EUA, um dos parceiros dos Rodríguez é Grenell, que em 2025 fez várias visitas a Caracas. Seus encontros com Maduro renderam a Trump o envio de imigrantes venezuelanos ilegais nos EUA de volta para seu país, e a renovação do contrato com a Chevron— negociado por Delcy, então vice-presidente e ministra dos Hidrocarbonetos.

Petróleo, dívidas a serem renegociadas, imigrantes ilegais que os EUA querem continuar deportando e o afastamento da Venezuela de sócios como China e Rússia. Esses são os principais interesses de uma figura como Grenell, um diplomata que atua nas sombras e nunca escondeu seu desejo de comandar o Departamento de Estado americano.

Bom negócio

Por que o setor privado, como Trump, apostou no chavismo e não numa guinada política radical no país? Essencialmente porque conheciam o perfil pragmático da agora presidente interina. Em palavras de uma fonte venezuelana, “quando os empresários perceberam que Trump não invadiria a Venezuela, entenderam que María Corina não chegaria ao poder. Ela só seria presidente se fosse colocada dentro do palácio por militares americanos”.

Assim como o setor petroleiro entendeu que as negociações para participar de uma nova etapa econômica na Venezuela seriam com o chavismo, o mesmo aconteceu entre banqueiros e credores da dívida venezuelana. Como explica a jornalista venezuelana Blanca Vera Azaf, no artigo intitulado “Dentons e Rothschild Co., os principais escritórios de advocacia de Delcy Rodríguez para a reestruturação da dívida”, publicado no site Bitácora Económica, o ataque despertou o interesse dos que consideram a Venezuela chavista um eventual bom negócio.

A presidente interina, aponta uma fonte em Caracas, “tem uma visão moderna da economia venezuelana, quer abrir o país para investimentos estrangeiros. Foi ela quem incorporou o setor privado nos últimos anos e é ela quem quer inserir a Venezuela no mundo”.

De acordo com a jornalista venezuelana, um dos principais colaboradores da presidente interina é “o advogado francês David Syed. Um homem que não só está ligado à Venezuela por sua estreita relação com Rodríguez, mas também por ter vivido no país durante a infância e pelo carinho que seu pai, um paquistanês que veio trabalhar no país, nutria por esta terra onde escolheu morrer. Syed é um especialista em reestruturação de dívidas com vasta experiência”. As informações são de O Globo.

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