Quinta-feira, 12 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de março de 2026
Em um primeiro pronunciamento, o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (12) que o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo, seguirá bloqueado enquanto durar a hostilidade contra o território iraniano.
Mojtaba, filho do ex-líder supremo assassinado, aiatolá Ali Khamenei, fez as primeiras declarações por meio de um comunicado divulgado pelos canais oficiais do regime iraniano — quatro dias após sua nomeação ao cargo, em um momento em que dúvidas sobre seu estado de saúde levantaram questionamentos e que as forças militares do Irã ampliam os ataques contra alvos ligados ao mercado de petróleo na região.
“Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz”, afirmou Mojtaba no documento. “Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam”.
O pronunciamento assinado por Mojtaba foi lido na televisão estatal do Irã e se divide em sete pontos. O texto trata de assuntos políticos ligados à guerra, mas assume o tom formal de uma líder religioso — o aiatolá iraniano é também uma figura central para milhões de muçulmanos xiitas em outros países — ao citar o Alcorão em determinadas passagens — como a saudação “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, que inicia a maioria dos capítulos do livro sagrado islâmico.
Entre as mensagens políticas transmitidas, o líder supremo iraniano fez um apelo aos países do Golfo — alvos de numerosos ataques do Irã desde o início do conflito — para que fechem as bases militares americanas em seus territórios. Em meio à campanha de retaliação de Teerã, os vizinhos condenaram reiteradamente violações aos seus territórios, o que o regime iraniano rejeitou, dizendo que os ataques se limitavam a instalações de EUA e Israel — embora as principais capitais da região tenham relatado danos a instalações civis.
“Recomendo que fechem essas bases o mais rápido possível. Vocês já devem ter percebido que a alegação de que os Estados Unidos garantem segurança e paz não passa de uma mentira”, afirmou Khamenei no texto.
A nomeação de Mojtaba foi apontada por analistas especializados no regime iraniano como um sinal da estrutura política fundada pela Revolução Islâmica de que não irá ceder às exigências de rendição total dos adversários ocidentais. Filho do ex-líder supremo assassinado, Mojtaba, de 56 anos, foi apontado como um nome de consenso entre religiosos e a Guarda Revolucionária do Irã, braço militar mais ideológico dentro do regime — mesmo contrariando o posicionamentos públicos de Khamenei e de seu antecessor, Ruholla Khomeini, em contrariedade a hereditariedade de cargos.
Além do passado próximo à Guarda Revolucionária, a escolha de Mojtaba também ofereceu ao regime uma liderança que pessoalmente tem poucos motivos para dialogar ou arrefecer as tensões com os EUA, uma vez que teve o pai, a mãe e a esposa mortos no ataque inicial americano-israelense. Em seu pronunciamento, o líder supremo prometeu vingança.
“Por enquanto, apenas uma pequena parte dessa vingança foi concretizada, mas até que esteja completa, essa será uma de nossas prioridades”, enfatiza o texto. “Buscaremos compensação do inimigo e, se ele se recusar, tomaremos o máximo de seus bens que considerarmos adequado e, se isso não for possível, destruiremos a mesma quantidade de seus bens”.
O próprio Mojtaba ficou ferido com o ataque inicial, embora não se saiba com exatidão a extensão dos danos físicos. O embaixador iraniano no Chipre, Alireza Salarian, disse ao The Guardian na quarta-feira que o filho de Khamenei “foi ferido” no bombardeio inicial, que acreditava que ele foi hospitalizado com ferimentos nas pernas, na mão e no braço. Outras autoridades iranianas afirmaram que ele estaria fora de perigo. (Com informações do jornal O Globo)