Segunda-feira, 09 de Março de 2026

Home Rio Grande do Sul Estudo aponta avanço da participação feminina no mercado de trabalho no Rio Grande do Sul

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A participação das mulheres no mercado de trabalho no Rio Grande do Sul alcançou 58,5% em 2024. No mesmo ano, a taxa de desocupação feminina recuou para 6,2%, configurando o menor resultado da série histórica estadual e permanecendo abaixo da média nacional, de 8,1%. O desempenho ocorre após oscilações observadas durante e no período posterior à pandemia.

A inserção no mercado formal também evidencia maior qualificação. Em 2024, 34,2% das trabalhadoras no Estado possuíam ensino superior completo, proporção superior à registrada entre os homens (19,1%). Ainda assim, a diferença de rendimentos persiste: o salário médio feminino corresponde a 76% do masculino (razão de 0,76).

Os dados integram a Síntese ODS 5 – Igualdade de Gênero, publicada pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) do governo gaúcho. O estudo monitora 47 indicadores relacionados às nove metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 no Estado.

Além do mercado de trabalho, o levantamento analisa a presença feminina em espaços de decisão. Em 2025, as mulheres representam 61,4% do total de servidores do Poder Executivo estadual (75.862 de 123.576) e ocupam 54,3% dos cargos e funções de chefia, percentual nove pontos percentuais superior ao de 2024. Nas Secretarias Estaduais, elas estão à frente de 35,5% das pastas.

No plano federal, as mulheres ocupam 26,3% dos cargos ministeriais. No Judiciário gaúcho, 45,3% dos magistrados são mulheres. Já na segurança pública, o Estado registra 41,5% de participação feminina na Polícia Civil e 16,3% na Brigada Militar.

Em relação ao trabalho não remunerado, dados de 2022 indicam que as mulheres dedicaram 11,3% do seu tempo aos afazeres domésticos, proporção 1,7 vez superior à dos homens (6,7%). Entre as mulheres inativas de 18 a 60 anos no Estado, 10,9% indicaram cuidados domésticos como principal motivo, percentual inferior ao da média nacional (15,7%).

Saúde

Os indicadores de saúde mostram ampliação do acesso à prevenção e ao acompanhamento. Em 2024, 83,2% das gestantes no Rio Grande do Sul realizaram sete ou mais consultas de pré-natal, percentual superior ao registrado em 2015 (74,1%). Por outro lado, alguns indicadores permanecem elevados. Em 2024, os partos cesáreos representaram 65,7% do total no Estado, percentual acima do observado no Brasil (60,6%). No mesmo ano, a mortalidade materna foi de 47,3 óbitos por 100 mil nascidos vivos — em 2023, o índice havia sido de 33,9.

No campo da imunização, a cobertura vacinal contra o HPV entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 90,5% em 2025, fazendo com o que Rio Grande do Sul atingisse a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Já a taxa de detecção de HIV em mulheres apresentou recuo, passou de 28,8 para 17,1 por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024. Entre as diagnosticadas, 86% estão em tratamento e, desse grupo, 94% apresentam carga viral suprimida.

Violência 

O monitoramento também reúne dados sobre violência contra as mulheres. Em 2025, foram registradas 1.433 vítimas de estupro do sexo feminino com até 14 anos de idade em situação de violência doméstica, o que representa uma redução de 10% em relação a 2024, quando o total foi de 1.593 vítimas.

Em termos percentuais, meninas e adolescentes de 0 a 19 anos concentraram 75,3% das vítimas de estupro no Rio Grande do Sul, embora representem 22,3% da população feminina do Estado. A maior incidência ocorreu na faixa de 10 a 14 anos, responsável por 37,9% dos casos. A partir dos 20 anos, observa-se redução progressiva na participação relativa das vítimas, variando de 8,8% entre mulheres de 20 a 29 anos até 0,1% entre aquelas com 80 anos ou mais.

No mesmo ano, houve interrupção na trajetória de queda dos feminicídios registrada nos dois anos anteriores, 2024 e 2023. A taxa de feminicídio consumado (os casos em que houve morte) foi de 1,38 por 100 mil mulheres, enquanto a de feminicídio tentado (tentativa de homicídio por razões de gênero) alcançou 4,57 por 100 mil.

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