Sábado, 24 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de janeiro de 2026
Duas mulheres que trabalharam nas residências do cantor Julio Iglesias, em 2021, acusam o cantor de assédio sexual, abuso de poder e maus-tratos psicológicos. Os relatos, feitos por uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta particular, integram uma investigação conduzida pelo portal espanhol elDiario.es em pareceria com a rede de TV americana Univision Noticias.
Segundo as denunciantes, abusos psicológicos e sexuais faziam parte da rotina de trabalho nas casas, localizadas na República Dominicana e nas Bahamas. As mulheres afirmam que o vínculo profissional era atravessado por ameaças frequentes de demissão, jornadas exaustivas e restrições que extrapolavam o ambiente de trabalho, alcançando a vida pessoal.
“Ele me usava quase todas as noites. Eu me sentia como um objeto, como uma escrava em pleno século XXI”, disse uma delas, identificada como Rebeca, em entrevista à Univision: “Ele enfiava os dedos em mim por todos os lados”, acrescentou a jovem dominicana, que tinha 22 anos à época dos supostos abusos.
A dominicana alegou ainda que Iglesias a obrigou a participar de relações sexuais a três com outra funcionária, além de, em outras ocasiões, estapear seu rosto e apalpar suas genitálias.
A outra denunciante, Laura, uma fisioterapeuta venezuelana, tinha 28 anos quando começou a trabalhar para o cantor. Ela relembra que o artista espanhol tocou seus seios e a beijou na boca contra sua vontade.
“Ele ameaçava demitir você o tempo todo e reforçava que trabalhar para ele era a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida”, contou a venezuelana.
De acordo com a fisioterapeuta, o artista também controlava a quantidade de comida consumida pelas funcionárias e questionava sobre a proximidade de seu período menstrual.
“Ele sempre dizia que eu era gorda e que precisava emagrecer”, disse Laura à Univision, descrevendo um ambiente de trabalho de “abuso normalizado”.
Rebeca relembra que rejeitava frequentemente as investidas sexuais do cantor, mas que “havia garotas que não conseguiam dizer não. E ele fazia o que queria com elas”.
Ambas ex-funcionárias apresentaram, no dia 5 de janeiro, uma queixa judicial contra Iglesias por agressão sexual e tráfico de pessoas ao tribunal nacional da Espanha, responsável por investigar crimes cometidos fora do território espanhol. Atualmente, a denúncia segue sob análise.
Figura popular
Longe dos holofotes há vários anos e historicamente muito popular na Espanha, Iglesias construiu uma carreira internacional de enorme sucesso como intérprete de baladas românticas como “Hey”, “De niña a mujer” e “Me olvidé de vivir”, figurando entre os artistas que mais venderam discos na história da música.
Na terça-feira, porém, o artista tornou-se alvo de críticas públicas, sobretudo no meio político. “Testemunhos arrepiante das ex-funcionárias de Julio Iglesias. Abusos sexuais e uma situação de escravidão”, escreveu a vice-presidente segunda do governo espanhol, Yolanda Díaz, na rede social Bluesky.
A ministra da Igualdade, Ana Redondo, defendeu “que se investigue e que se vá até o fim”, em mensagem publicada na rede social X.
As denúncias também repercutiram no meio cultural. O escritor Ignacio Peyró, autor da biografia El español que enamoró al mundo, e a editora Libros del Asteroide afirmaram estar em “profunda consternação” diante das acusações.
“No momento de sua publicação, não eram conhecidas essas acusações nem existiam referências públicas que permitissem abordá-las no texto”, disseram em comunicado. Diante das novas informações, prometeram “oferecer, assim que possível, uma nova edição revisada e atualizada” da obra.
Até o momento, Iglesias não se pronunciou sobre o assunto.