Quarta-feira, 01 de Dezembro de 2021

Home Brasil “Excluir a Coronavac é mais um erro do Ministério da Saúde”, diz o presidente do Butantan

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Presidente do Instituto Butantan, um dos maiores produtores de vacina contra covid-19 no Brasil, Dimas Covas afirma que, diferentemente do que tem sido especulado, o órgão não vai deixar de lado a produção da Coronavac.

A expectativa é que com a chegada dos dados coletados após a vacinação até meados de novembro, o Butantan solicite o registro definitivo da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A falta de registro definitivo na Anvisa é um dos argumentos do Ministério da Saúde para não contratar mais doses da Coronavac.

O secretário Executivo da pasta, Rodrigo Cruz, e a secretária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Melo, se reuniram com Covas para falar sobre o tema. Na conversa, foi atualizado o status da produção de dados para subsidiar o pedido relativo à Coronavac e também fornecidas informações sobre o desenvolvimento da ButanVac, mas sem avanços quanto a novas contratações. No caso da ButanVac, a expectativa é que o imunizante chegue ao braço dos brasileiros somente no ano que vem.

Em entrevista ao jornal O Globo, Covas afirma que além dos dois imunizantes já conhecidos, o instituto atua no desenvolvimento de uma terceira vacina que pretende imunizar ao mesmo tempo contra covid-19 e contra gripe. O pesquisador criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro em relação à vacinação e disse que o Ministério da Saúde erra ao preterir a CoronaVac em sua estratégia de imunização.

Covas critica ainda a discussão sobre fim da obrigatoriedade do uso de máscaras e fala sobre a necessidade de manter medidas de contenção da disseminação do coronavírus.

1) Qual vai ser o lugar da Coronavac nos planos do Butantan daqui pra frente? A vacina vai continuar sendo carro-chefe do instituto?

Nós temos duas vacinas, uma em uso, que é a Coronavac, e uma em desenvolvimento adiantado que é a ButanVac. São vacinas que têm princípios diferentes, que têm imunogenicidades diferentes. E uma pode completar a ação da outra. Então, nesse momento o nosso planejamento é manter a Coronavac como o carro-chefe, mas futuramente incorporar a ButanVac não só como vacina única, mas também como uma vacina combinada. Nós estamos desenvolvendo um imunizante que combina a vacina da gripe com a da covid-19 no sentido de disponibilizar uma única vacina que sirva tanto para uma quanto para outra. São planos de médio prazo.

2) O senhor mencionou o desenvolvimento de vacina única para gripe e covid-19. Como funcionaria isso?

Prevendo que o coronavírus se tornará possivelmente endêmico, ele não vai desaparecer, decorre dessa suposição a necessidade de uma vacinação anual. E uma vacinação anual que é exatamente a mesma população que recebe a vacina da gripe. Aplicar uma vacina única para covid-19 e gripe faz todo o sentido. Estamos trabalhando nesse desenvolvimento. É uma vacina diferente e que é possível, porque a tecnologia que produz a vacina da gripe é a mesma tecnologia que produz a ButanVac. Já estamos fazendo testes em animais e trabalhando intensamente nesse desenvolvimento. Primeiro precisamos terminar a ButanVac para na sequência fazer estudos com essa combinação. Em princípio a vacina seria para todas as populações que são elegíveis para a gripe, que é aplicada a partir dos três anos de idade.

3) Quando a ButanVac estiver pronta para uso vocês pretendem descontinuar a Coronavac?

O mundo nesse momento precisa de vacinas. Pouco mais de três por cento das populações dos países pobres foi vacinada até momento. Existe ainda uma incerteza sobre como o coronavírus vai se comportar nos meses seguintes, no próximo ano. Então nós temos que ter à mão todas as vacinas disponíveis.

O Butantan manterá a Coronavac. Estamos nesse momento num processo de planejamento para o fornecimento da Coronavac para outros países. Estamos aguardando um posicionamento da Organização Pan-Americana de Saúde.

4) O governo brasileiro disse que não tem planos por enquanto de adquirir mais doses da Coronavac, e usa como argumento a falta de registro definitivo na Anvisa. Por que o Butantan ainda não solicitou registro definitivo?

O Ministério da Saúde erra ao descartar uma vacina. Como eu mencionei, nós não sabemos ainda o que vai acontecer com essa pandemia. A necessidade de revacinação já é hoje quase certa. Na minha opinião isso vai se estender à toda população. Temos ainda a questão de uso pediátrico. A CoronaVac é a vacina mais segura entre todas que estão sendo utilizadas para todas as populações, mas especialmente para a população de 3 a 17 anos. Então estamos também aguardando o pronunciamento da Anvisa no sentido de que autorize o uso dessa vacina nessa população.

No caso do registro definitivo existe ainda uma pendência em relação a dados posteriores à vacinação, os dados de imunogenicidade. Estamos providenciando e tão logo estejam disponíveis vamos formalizar o pedido de registro definitivo. Esses dados estão na iminência de chegar, são exames que estão sendo feitos na China e estamos aguardando para meados desse mês.

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