Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de fevereiro de 2026
Este promete promete ser um ano difícil para a indústria da tecnologia. Com a crise causada pelos data centers de inteligência artificial (IA), os consumidores devem se deparar com preços exorbitantes e produtos que foram forçados a sofrer cortes no hardware, o que deve fazer com que muitos repensem a viabilidade de manter os investimentos na IA.
Mesmo com a ideia de que a promoção exagerada da IA como o “santo Graal da tecnologia” já esteja cansando boa parte dos consumidores, Satya Nadella, CEO da Microsoft, decidiu sair em defesa dela e fez um apelo para que os usuários parem de propagar o pensamento de que a IA é “indesejada”.
Em um artigo publicado no LinkedIn, intitulado Looking Ahead to 2026, Satya Nadella afirmou que 2026 será “crucial” para a IA. Segundo ele, a tecnologia estaria deixando a fase de espetáculo para entrar em um período de difusão ampla, no qual será possível separar promessas vazias de aplicações com impacto real.
Apesar do discurso otimista, a presença da IA no ecossistema Microsoft tem gerado reações negativas. Ferramentas como o Copilot passaram a ser integradas de forma quase obrigatória em produtos como Windows e aplicativos de consumo, muitas vezes com utilidade questionável, o que tem levado usuários a buscar alternativas fora da plataforma.
Esse movimento já reflete em mudanças mais amplas. Governos e empresas passaram a considerar a migração para sistemas baseados em Linux, um pensamento que também cresceu entre os usuários finais, principalmente após o fim do suporte oficial ao Windows 10. Ao mesmo tempo, temas como a queda percebida na qualidade do Windows, preços mais altos no Xbox e o aparente abandono da linha Surface ficaram fora do recente memorando da liderança da Microsoft.
Nadella reconheceu que a IA ainda não conquistou o que chamou de “permissão social”. O executivo citou a resistência, a ironia e a desconfiança em torno da tecnologia, defendendo que o debate precisa ir além da oposição entre soluções sofisticadas e implementações vistas como descartáveis.
Para o CEO, a IA deve funcionar como um “amplificador cognitivo”, capaz de potencializar capacidades humanas, e não substituí-las. A fala, porém, contrasta com o cenário recente de demissões em massa no setor e com a própria Microsoft divulgando que parte significativa de seu código já é produzida por sistemas automatizados.
O executivo também afirmou que a empresa pretende evoluir de modelos isolados para sistemas mais completos, com impacto mensurável no mundo real. A expectativa, segundo ele, passa por maior sofisticação em engenharia e escolhas mais cuidadosas sobre como a tecnologia será difundida.
Mesmo com o apelo, o discurso não convence a todos. Críticos apontam paralelos com o entusiasmo da indústria em torno do metaverso, outra aposta bilionária que acabou perdendo relevância. Para parte do público, enquanto produtos tradicionais como Windows e Office não receberem atenção proporcional, a IA continuará sendo vista mais como um incômodo do que como um avanço real.