Sexta-feira, 13 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de março de 2026

A Expodireto Cotrijal 2026, realizada em Não-Me-Toque, foi palco de um ato simbólico que marcou a abertura nacional da semeadura da canola. A cerimônia, conduzida por lideranças do setor, reforçou o papel estratégico da oleaginosa no cenário agrícola brasileiro e projetou o futuro da cultura como alternativa de renda e sustentabilidade para o período de inverno.
Nos últimos anos, a canola vem registrando expansão significativa em área cultivada. Na safra anterior, cerca de 225 mil hectares foram destinados à oleaginosa. Para 2026, a projeção é de 380 mil hectares, um aumento de 60% em relação ao ciclo anterior. Os números refletem o avanço da cultura e a confiança dos produtores em seu potencial. “Esse evento simboliza não apenas o início de uma nova safra, mas também o avanço de toda uma cadeia que vem se consolidando com força no Brasil”, destacou Vantuir Scarantti, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola).
O Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da área cultivada, mantendo-se como principal polo de produção. Paraná e Mato Grosso do Sul também apresentam crescimento, embora em menor escala. A produtividade média nacional gira em torno de 1,5 mil quilos por hectare, resultado considerado positivo diante das condições climáticas e dos desafios enfrentados pelos agricultores. Para Scarantti, a canola representa diversidade de renda, melhoria no sistema de rotação de culturas e oportunidade para o desenvolvimento sustentável da agricultura.
O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, reforçou que a oleaginosa é uma alternativa viável para o inverno. “Vemos a canola como uma boa opção para o produtor, que encontra na cultura uma forma de rentabilizar o período e diversificar sua produção”, afirmou. O mercado interno absorve grande parte da produção, principalmente para a fabricação de farelo e óleo utilizados na alimentação. Com o crescimento da área, novas possibilidades começam a surgir, como a produção de biocombustíveis. A demanda internacional também é promissora, já que a canola ocupa posição de destaque entre as oleaginosas mais produzidas no mundo.
Apesar do cenário favorável, desafios persistem. Questões tributárias impactam a comercialização e exigem maior atenção das entidades representativas. Outro ponto crítico é a dependência de sementes importadas: mais de 90% vêm de países como Austrália e Estados Unidos, com a Argentina surgindo como novo fornecedor. Essa realidade exige planejamento antecipado das empresas para garantir o abastecimento das lavouras. “É preciso organizar a importação com antecedência, sob risco de comprometer a próxima safra”, alertou Scarantti.
Durante a feira, pesquisadores também destacaram a importância da canola e da carinata como alternativas de cultivo para o inverno. Enquanto a canola se destina principalmente à alimentação e ao óleo, a carinata surge como opção voltada para biocombustíveis, especialmente combustível de aviação. Essa diversificação reforça o papel da Expodireto como espaço de inovação e debate sobre o futuro da agricultura.
A abertura nacional da semeadura de canola na Expodireto Cotrijal 2026 simboliza mais do que o início de uma safra: representa o fortalecimento de uma cadeia produtiva que ganha relevância no Brasil. Com projeções otimistas, desafios a superar e novas oportunidades de mercado, a cultura se consolida como peça-chave na estratégia agrícola do país, especialmente no Rio Grande do Sul, que lidera esse movimento. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)