Sexta-feira, 06 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de maio de 2023
Em meio às críticas de excesso de exposição, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), voltará ao Congresso nesta semana. Ele deve participar de audiência pública, nesta quarta-feira (24), na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. As recentes incursões de Dino ao parlamento lhe deram protagonismo e impulsionaram sua popularidade digital, mas geraram incômodo nos colegas de Esplanada e acirraram os ânimos da oposição, que o elegeu como alvo prioritário na CPI mista dos atos golpistas.
Diante deste cenário, o titular da Justiça foi aconselhado por aliados a submergir. Interlocutores do ministro dizem que ele reconhece o momento de superexposição, e sente desconforto com a situação que, a seu ver, ofusca o trabalho que desempenha no ministério. Na semana passada, ele conseguiu adiar o comparecimento à Comissão de Comunicação da Câmara, onde deputados querem questioná-lo sobre o projeto de lei das fake news.
Ainda assim, não será fácil driblar os holofotes. Levantamento feito pela assessoria do ministério mostra que deputados e senadores já apresentaram 63 requerimentos de convites e/ou convocações para ouvir o titular da Justiça: 60 em comissões da Câmara, e três no Senado. Os deputados Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Evair Melo (PP-ES) são os campeões de requerimentos. O primeiro é autor de sete, e o capixaba apresentou seis pedidos para que Dino prestasse esclarecimentos ao Congresso.
Entre o fim de março e meados de maio, o titular da Justiça compareceu a três comissões da Câmara dos Deputados, e à Comissão de Segurança Pública do Senado. O tom irônico adotado em boa parte das respostas às indagações da oposição conferiu a Dino fama de “lacrador”.
O Índice de Popularidade Digital (IPD) medido pela empresa de pesquisa e consultoria Quaest mostrou que em abril Dino se tornou o ministro com maior popularidade na internet, ultrapassando o titular da Fazenda, Fernando Haddad.
Um levantamento da assessoria do ministro mostra que ele ganhou mais de 350 mil seguidores a partir de abril – considerados os perfis no Twitter, Instagram e Facebook – após as participações nas comissões do Congresso. O número passa de 600 mil se o marco temporal são os atentados de 8 de janeiro, quando ele ganhou visibilidade nacional no comando das forças de segurança pública e de investigação.
O deputado Evair Melo, um dos que mais requisitou o comparecimento de Dino à Câmara, negou que a oposição esteja contribuindo para ampliar a influência de Flávio Dino nas redes sociais ao convocá-lo reiteradamente nas comissões. Melo argumentou que se trata de uma estratégia para expor as supostas contradições do ministro.
“Ele não está lacrando, está pregando para convertidos”, disse o parlamentar. “Nós estamos confrontando as falas dele nas diversas comissões e nas entrevistas, ele dá entrevista quase todo dia. Quem muito fala, uma hora acaba falando bobagem.”
Melo alegou ainda que Dino teria dado respostas diferentes para perguntas repetidas feitas pela oposição. “A polícia costuma interrogar suspeitos várias vezes, em dias diferentes, para buscar equívocos. O ministro é um dos peixes grandes do governo, e como todo peixe, ele vai morrer pela boca”, provocou.
Em contrapartida, interlocutores de Dino observam que a oposição repete perguntas que poderiam constranger o ministro para registrarem a cena, e, depois, “lacrarem” com seus seguidores nas redes sociais.
Em paralelo, Dino enfrenta a desconfiança de alas do PT, que o veem como presidenciável, e, portanto, potencial adversário em 2026. Aos mais próximos, entretanto, o ministro tem afirmado que só vê dois candidatos à Presidência ao fim deste mandato: o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se o governo estiver bem avaliado, e ele gozar de boa saúde; ou Haddad, se a economia estiver aquecida, porque ele é o escolhido de Lula.
Alvo preferencial da oposição, e lidando com as oscilações de humores dos colegas do primeiro escalão, Dino tem afirmado a interlocutores que essa superexposição não o favorece, pois tira visibilidade de seu trabalho.
Segundo um interlocutor do ministro, são quatro as vertentes de sua atuação na pasta. A prioridade são as ações na área de segurança pública. Na quinta-feira, ele fez um balanço das operações integradas entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e polícia civil no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele também tem atuado para ampliar a estrutura da Polícia Federal (PF).
Uma segunda linha de atuação são as grandes investigações, sob a coordenação da PF, que está vinculada ao ministério. A terceira é a atuação institucional, amparada no relacionamento com magistrados, Ministério Público, e demais atores do Poder Judiciário, entre os quais ele desponta como interlocutor de Lula.
A quarta vertente é o que um interlocutor chama de “reativa”, que obriga o ministro a reagir às crises, e tem como um dos reflexos suas sucessivas incursões às comissões do Congresso.
O excesso de protagonismo não o desgastou junto ao presidente. Dino continua sendo um dos auxiliares mais influentes junto a Lula, com quem conversa diariamente, embora não seja frequentador assíduo do Palácio.