Terça-feira, 23 de Abril de 2024

Home em foco Fed, o banco central americano, eleva juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez consecutiva para combater a inflação

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O Federal Reserve, Banco Central americano, elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez consecutiva nesta quarta-feira (21), dando mais um passo em seu processo de aperto monetário. Com a elevação, agora os juros estão na faixa entre 3% e 3,25%, maior nível desde janeiro de 2008. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado.

Em seu comunicado, o Fed prevê que os aumentos contínuos nas taxas serão apropriados e que o banco está “fortemente comprometido” em devolver a inflação de volta para a meta de 2%.

“Indicadores recentes apontam para um crescimento modesto nos gastos e na produção. Os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços”, destacou o Fed, em seu comunicado.

O banco afirmou que a guerra da Ucrânia e os eventos relacionados ao conflito estão criando uma “pressão ascendente adicional sobre a inflação e estão pesando sobre a atividade econômica global”.

Além disso, o Fed sinalizou que continuará levando em conta a divulgação dos próximos indicadores econômicos para tomar suas decisões.

“As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo leituras sobre saúde pública, condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação e desenvolvimentos financeiros e internacionais”, destaca o comunicado do Fed.

A alta nas taxas visa combater uma inflação que está nos maiores patamares em quase quatro décadas. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) atingiu os 8,3% em agosto na base de comparação anual.

Os números até mostraram uma desaceleração ante os 8,5% registrados em julho, mas vieram acima das expectativas, que giravam em torno de 8,1%.

Outra variável importante que vem sendo observada pelo banco é o mercado de trabalho aquecido no país, o que ajuda a pressionar os preços. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a taxa estava em 3,7% em agosto, número considerado baixo.

A autoridade monetária também ressaltou que continuará reduzindo seu balanço patrimonial, formado pela participação em títulos do Tesouro, dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências.

Mais altas pela frente

Durante entrevista coletiva após o anúncio, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reforçou o compromisso da autoridade monetária com o combate à inflação.

“Estamos mudando nossa postura política propositalmente para um nível que será suficientemente restritivo para retornar a inflação a 2%”, disse Powell. O presidente acrescentou que o banco manterá a postura “até que o trabalho seja feito”.

“Não há uma maneira indolor de deixar a inflação para trás […] Taxas de juros mais altas, crescimento mais lento e mercado de trabalho em desaceleração são dolorosos para o público que atendemos, mas não são tão dolorosos quanto não restaurar a estabilidade de preços”, complementou Powell.

O BC americano começou o ciclo de alta de juros nos EUA em março, quando elevou a taxa em 0,25 ponto percentual. Em maio, subiu 0,5 ponto. Em junho e julho, foram realizados dois aumentos de 0,75 ponto percentual.

Juros em 2023

Além do anúncio sobre os juros, os agentes de mercado esperavam a divulgação do “dot plot”, ou resumo das projeções econômicas. O gráfico mostra a mediana das expectativas dos dirigentes do banco para os juros, inflação, desemprego e Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos. Já eram esperadas mudanças nas estimativas.

Os dirigentes esperam que a taxa de juros suba para 4,4% até o final do ano e chegue a 4,6% durante 2023. Isso significa que uma nova elevação de 0,75 ponto percentual estará na mesa para a reunião de novembro.

Mais à frente, as taxas cairão para 3,9% em 2024 e 2,9% em 2025.

As projeções, que mostraram uma trajetória de juros mais acentuada do que as divulgadas pelas autoridades em junho, reforçam a determinação do Fed de esfriar a inflação, apesar do risco de que os aumentos dos juros possam levar os EUA à recessão.

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