Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de outubro de 2026

Segunda edição do evento amplia programação, reúne chefs de projeção nacional, produtores locais, empreendedores e artistas em uma celebração da ancestralidade africana e do desenvolvimento econômico
A gastronomia, a cultura e o empreendedorismo de matriz africana estarão no centro das atenções em Porto Alegre no próximo dia 7 de novembro. A segunda edição do Festival Africano – Áfricas no Centro ocupará a Unisenac e a Rua Coronel Genuíno, no Centro Histórico, com uma programação que reúne alta gastronomia, feiras, oficinas, debates, apresentações culturais e iniciativas voltadas ao fortalecimento da economia criativa negra.
Os detalhes do evento foram apresentados nesta quarta-feira (28), durante encontro realizado no auditório da Unisenac. Organizado pelo projeto Áfricas no Centro, o festival conta com apoio da Prefeitura de Porto Alegre e do Sebrae, além de parcerias com Unisinos, Unisenac, Produtores Unidos e Instituto Identidade RS.
Mais do que um evento cultural, o festival se consolida como uma plataforma de valorização da herança africana e de geração de oportunidades para empreendedores, produtores rurais, cozinheiros, artesãos e artistas. A iniciativa busca conectar tradição, inovação e desenvolvimento econômico a partir de uma das principais influências formadoras da sociedade brasileira.
Um dos pontos altos da programação será o Banquete Africano, experiência gastronômica comandada pelo chef João Diamante, referência nacional da culinária afro-brasileira, e pelo chef Sidy (Sessidy), que irão unir ingredientes gaúchos e técnicas inspiradas nas tradições culinárias africanas e afrodiaspóricas.
Preparado na cozinha pedagógica da Unisenac, o almoço terá capacidade para 300 participantes e contará com a participação de docentes negros dos cursos de Gastronomia da Unisenac e da Unisinos. Além de apresentar sabores e ingredientes que marcaram a formação da culinária brasileira, a proposta busca evidenciar a gastronomia como instrumento de preservação da memória, identidade e pertencimento.
Ao lado da experiência gastronômica, a programação ocupará a Rua Coronel Genuíno com uma feira de produtores locais e da agricultura familiar, comercialização de pratos típicos, artesanato, moda, produtos autorais e iniciativas ligadas à economia criativa. A expectativa é fomentar negócios, ampliar a visibilidade de pequenos empreendedores e aproximar o público das manifestações culturais afro-brasileiras.
O festival também contará com oficinas gastronômicas, demonstrações culinárias realizadas na unidade móvel do Senac-RS, atividades para crianças, apresentações musicais, intervenções artísticas, desfile de moda africana e ações voltadas à valorização da estética e da identidade negra.
Dentro da Unisenac, o auditório receberá palestras, rodas de conversa e debates sobre ancestralidade, educação antirracista, cultura, empreendedorismo e inovação. Entre os destaques está a exibição de um documentário produzido pelo chef João Diamante durante viagem ao Benin, seguida de discussão sobre as conexões históricas e culturais entre África e Brasil.
A proposta do festival é promover uma experiência capaz de integrar conhecimento, formação, cultura e negócios. Ao reunir instituições de ensino, setor público, empreendedores e agentes culturais, o evento reforça o papel da economia criativa como vetor de desenvolvimento e inclusão.
Durante a apresentação da programação, a secretária municipal da Cultura, Liliana Cardoso, destacou a relevância simbólica da iniciativa para a cidade. “Este festival representa o assentamento africano, a nossa ancestralidade, e o Poder Público tem orgulho de estar junto da sociedade na construção deste evento. O festival representa também a grandiosidade de produtores locais. É a potência africana no meio de nós”, afirmou.
A diretora do programa Centro+, Bruna Serrano, ressaltou o impacto da ocupação cultural na revitalização do Centro Histórico. “O Centro Histórico é palco natural da cultura, porque carrega a nossa história, a nossa memória e a diversidade que formam a identidade de Porto Alegre. Nosso papel é reconhecer e potencializar essa vocação, criando condições para que iniciativas como essa ocupem os espaços, movimentem a economia, atraiam pessoas e fortaleçam o sentimento de pertencimento”, declarou.
A expansão do festival reflete o crescimento de um movimento que busca ampliar a visibilidade da produção cultural e econômica ligada às matrizes africanas. Se a primeira edição chamou atenção pela proposta inovadora, a segunda nasce maior, ocupando novos espaços e incorporando parceiros estratégicos ligados à educação, ao empreendedorismo e à qualificação profissional.
Ao transformar o Centro Histórico em um grande palco de experiências gastronômicas, artísticas e formativas, o Festival Africano pretende consolidar Porto Alegre no circuito nacional de valorização da cultura afro-brasileira. Mais do que celebrar tradições, o evento lança luz sobre o potencial econômico da diversidade cultural e sobre a capacidade da criatividade, da memória e da inovação de gerar desenvolvimento, renda e inclusão social.