Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

Home Comportamento Fevereiro Sem Celular: campanha global convida a repensar relação com smartphones

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Um movimento global chamado Fevereiro Sem Celular (Phone Free February) convida pessoas em todo o mundo a reduzir drasticamente ou até abandonar o uso do telefone celular durante o mês de fevereiro. A proposta é estimular uma reflexão sobre a relação com a tecnologia e incentivar a recuperação do controle sobre o próprio tempo.

Inspirada em campanhas como o Janeiro Seco ou Janeiro Sem Álcool, que defendem a abstinência do consumo de bebidas alcoólicas por um mês, a iniciativa sugere um “detox digital”. O objetivo é ajudar os participantes a perceberem o impacto do uso excessivo do smartphone na rotina, na produtividade e no bem-estar.

Segundo a Global Solidarity Foundation, organização responsável pela campanha, os smartphones são desenvolvidos para manter os usuários constantemente conectados às telas. Dados citados pela entidade indicam que, em média, as pessoas checam o celular cerca de 221 vezes por dia.

Jacob Warn, representante da fundação, afirmou ao jornal The Washington Post que a campanha busca fazer com que as pessoas questionem para quais finalidades realmente utilizam o celular no cotidiano. Ele reconhece, no entanto, que o afastamento completo pode não ser viável para todos, especialmente para quem depende do aparelho no trabalho. Como alternativa, a iniciativa sugere reduzir o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens durante os momentos de lazer.

Especialistas em saúde mental também destacam a relevância da proposta. Emily Hemendinger, professora assistente de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade do Colorado, avalia que o detox digital pode trazer benefícios, embora ressalte que os efeitos variam de acordo com cada pessoa e seus objetivos individuais.

Para Hemendinger, citada no site da fundação, o período sem celular deve servir como um ponto de partida para a revisão de hábitos a longo prazo, e não apenas como uma pausa temporária interrompida ao final do mês.

A preocupação com a saúde mental é um dos eixos centrais da campanha. Estudos e análises de especialistas indicam que o uso excessivo de smartphones está associado ao aumento de quadros de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e isolamento social. O comportamento também é apontado como um dos fatores relacionados ao crescimento de casos de autolesão entre adolescentes e jovens adultos.

Dino Ambrosi, fundador do Project Reboot, programa educacional voltado a auxiliar jovens na relação com o mundo digital, afirma que os smartphones passaram a ocupar grande parte do tempo livre. Segundo ele, se um jovem de 18 anos nos Estados Unidos viver até os 90 anos, poderá passar cerca de 93% de seu tempo livre diante de telas.

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