Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de janeiro de 2026

A discussão sobre o futuro da ferrovia Malha Sul ganhou força com o posicionamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), que defende um novo modelo de concessão baseado em parceria público-privada. A atual concessão, operada pela Rumo Logística, expira em 2027, e o debate é considerado estratégico para a competitividade industrial da região.
O presidente da FIERGS, Claudio Bier, destacou que o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário crítico: perdeu mais da metade da sua malha ferroviária nas últimas décadas e hoje conta com apenas 921 km ativos, muitos em condições precárias. Para ele, a falta de visão estratégica comprometeu o modal ferroviário, essencial para um estado distante dos grandes centros consumidores e com vocação exportadora.
“Para as 52 mil indústrias gaúchas, uma logística ágil e com custos previsíveis é determinante para competir no mercado global”, afirmou Bier.
Propostas para a nova concessão
A FIERGS defende que o novo contrato contemple:
O coordenador do Conselho de Infraestrutura da FIERGS, Ricardo Portella, reforçou que a deterioração da Malha Sul compromete toda a cadeia logística, afetando indústria, agronegócio, comércio e portos. Ele lembrou que o tema é recorrente nas discussões do programa Rota FIERGS 2025, voltado à interiorização da entidade.
Reconstrução pós-enchentes e integração regional
O debate também foi associado ao processo de reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. O secretário-adjunto de Logística e Transportes do Estado, Clóvis Magalhães, destacou que o sistema ferroviário gaúcho ficou desconectado do restante do país, sobrecarregando as rodovias. Representantes de Santa Catarina e Paraná também relataram desafios semelhantes, reforçando a necessidade de uma solução integrada.
Perspectiva federal e investimentos previstos
Do lado do governo federal, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, apresentou o cronograma da nova concessão:
Ribeiro lembrou que o Brasil exporta mais de US$ 350 bilhões anuais e que não há país com a dimensão econômica brasileira sem uma rede ferroviária robusta. Ele acrescentou que a União poderá aportar recursos para investimentos, reforçando o caráter estratégico da Malha Sul.
Em um contexto mais amplo, estão previstos oito leilões ferroviários no país, com R$ 656 bilhões em recursos, dos quais R$ 140 bilhões destinados especificamente à malha ferroviária.
Urgência e riscos
O superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Alessandro Baumgartner, alertou que o debate é urgente: sem ferrovias, o escoamento da produção brasileira fica comprometido. Ele defendeu manutenção contínua e expansão da malha para evitar gargalos logísticos que afetam diretamente a competitividade nacional.
A defesa da FIERGS por um modelo de concessão moderno e integrado para a Malha Sul reflete a necessidade de reconstruir o modal ferroviário no Sul do Brasil. Mais do que uma questão de infraestrutura, trata-se de um projeto de desenvolvimento econômico e social, capaz de reposicionar a região no cenário global.
Com investimentos previstos, participação ativa do setor produtivo e integração com outros modais, a nova concessão pode transformar a logística brasileira e garantir que o Sul volte a ser protagonista no transporte ferroviário. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)