Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

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O advogado Caio Carvalho Barros, de 27 anos, filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), comprou, em março de 2025, um apartamento duplex em Brasília por R$ 9,2 milhões com financiamento do Banco de Brasília (BRB) – banco controlado pelo DF que está no centro de uma crise por operações com o liquidado Banco Master.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS apura se há relação entre essa negociação e a entrada do PicPay, empresa do grupo J&F, no governo Ibaneis. O duplex pertencia a José Antônio Batista Costa, presidente da J&F Participações, presidente do Conselho de Administração do PicPay e sobrinho dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O imóvel foi vendido a um empresário, que depois vendeu para o filho do governador. Caio Barros comprou o apartamento após seu escritório ter vendido um honorário de R$ 38 milhões para um fundo ligado à Reag Investimentos, investigada no caso do Banco Master.

Caio Barros disse que comprou o imóvel com ajuda do pai e da mãe, sem relação com negócios do escritório, e que o financiamento foi feito com o BRB por oferecer as melhores condições de crédito. Hoje, ele mora no imóvel.

O apartamento pertenceu a um executivo do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e depois foi vendido a outro empresário antes de ser comprado pelo filho do governador.

“José Antonio Batista Costa nunca negociou qualquer imóvel com Caio Carvalho Barros”, disse a empresa.

Operações

O filho de Ibaneis comprou o apartamento do empresário Claudio Mohn França, que por sua vez obteve o imóvel oito meses antes em uma negociação com José Antônio Batista Costa, executivo da J&F, presidente do Conselho de Administração do PicPay – o banco digital do conglomerado – e sobrinho dos irmãos Batista.

O apartamento é um duplex de 467 metros quadrados no Noroeste, um bairro de Brasília que concentra novos empreendimentos imobiliários de alto padrão e atualmente é uma das áreas mais valorizadas da capital federal.

Na escritura, ficou declarado que o filho de Ibaneis pagou R$ 3.346.000 diretamente a Claudio Mohn França. Os outros R$ 5.904.000 foram financiados pelo BRB, com parcelas de R$ 64.844,69 mensais.

O empresário que vendeu o duplex a Caio Barros, Claudio Mohn França, havia se tornado dono do imóvel oito meses antes, em julho de 2024. Ele recebeu o apartamento como parte do pagamento feito por José Antônio Batista Costa pela venda de uma casa por R$ 28 milhões, no Lago Sul, outro bairro nobre da capital federal.

Dos R$ 28 milhões, o executivo da J&F repassou a Claudio França R$ 2,4 milhões por transferência bancária e R$ 15,5 milhões em prestações pagas a partir de setembro de 2024. Claudio França recebeu o duplex do Noroeste como quitação dos R$ 10 milhões remanescentes. O imóvel pertencia a José Antônio Batista Costa desde setembro de 2023, quando o comprou por R$ 5,5 milhões, na planta.

Em março de 2025, oito meses depois de receber o duplex em troca de um pagamento de R$ 10 milhões, Claudio França vendeu o apartamento a Caio Barros, sobrinho de Ibaneis, por R$ 9,2 milhões.

Caio Barros afirmou que a compra do apartamento não tem qualquer relação com o negócio com a Reag – investigada no caso Master – ou com outros contratos do escritório e declarou que obteve doações do pai e da mãe para reunir o valor da entrada do imóvel.

Ele disse que o apartamento foi o primeiro dos três que visitou quando procurava uma residência e classificou o apartamento como “um espetáculo”. “Minha mãe me deu um pedaço, meu pai me deu outro pedaço. Nenhum dos valores veio do escritório, foi completamente fora da escritório. Eu paguei, financiei o saldo e estou pagando as parcelas hoje”, disse Caio Barros ao Estadão.

Ele declarou que conhece o executivo da J&F “da vida”, mas não sabia que José Antonio Batista Costa havia sido dono do duplex. O advogado afirmou que conheceu Claudio França por meio da corretora.

“Quando eu saí de casa, foi o primeiro apartamento que eu fui olhar e eu achei o apartamento um espetáculo, tanto é que foi o que eu comprei para morar efetivamente.” Segundo o advogado, nas propostas apresentadas pela corretora, a do Banco de Brasília era que ofertava os melhores juros. “Nunca tive tratativa direta com o BRB.” (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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