Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de janeiro de 2026
O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Francisco Schertel Mendes, tornou-se no mês passado vice-presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF). Filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi eleito em uma chapa liderada pelo advogado Diogo Amorim Pécora, assessor de um deputado estadual e então presidente do tribunal desportivo local.
A disputa pelo comando da FMF contou com a influência de dirigentes ligados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entre eles o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luís Otávio Veríssimo. Advogado, Veríssimo foi secretário-geral da Câmara dos Deputados na gestão de Arthur Lira (PP-AL) e chegou ao comando do STJD com apoio do grupo majoritário da CBF, que também teve peso decisivo no processo eleitoral em Mato Grosso.
Com o mandato, Francisco Mendes passou a atuar de forma mais visível no meio esportivo, chamando a atenção de dirigentes de federações e clubes. No início do mês, liderou uma excursão internacional com cartolas por Inglaterra, Alemanha e Espanha, assumindo protagonismo em encontros e discursos. Também passou a conceder entrevistas a veículos especializados.
Em Mato Grosso, Estado de pouca influência no futebol nacional, o novo dirigente esteve à frente de anúncios como a implementação inédita do árbitro de vídeo (VAR) no campeonato estadual e a formalização de um contrato de transmissão de todas as partidas. Na CBF, iniciativas de modernização têm contado com a participação de indicados ligados a ele.
Embora a família Mendes tenha origem e negócios no Estado, Francisco vive e trabalha em Brasília. Nos documentos de inscrição da chapa, informou endereço na capital federal, a mais de mil quilômetros de Cuiabá.
A presidência da FMF ficará a cargo de Diogo Pécora, de 35 anos, que confirmou alinhamento com a CBF. A uma rádio local, afirmou que suas decisões serão tomadas de forma colegiada. Dias antes da eleição, realizada em 2 de dezembro, Pécora se reuniu em São Paulo com o presidente da CBF, Samir Xaud, e saiu do encontro dizendo contar com o apoio da confederação.
A entrada de Francisco Mendes no comando de uma federação ocorre em meio à aproximação institucional entre o IDP e a CBF, iniciada em agosto de 2023, quando foi firmado um contrato de dez anos para que o instituto administrasse a CBF Academy, braço educacional da entidade. O acordo foi assinado por Francisco e pelo então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
Em 2024, a CBF Academy arrecadou R$ 5,9 milhões; em 2023, a receita foi de R$ 9,2 milhões. Pelo contrato, 84% do faturamento ficam com o IDP, e 16% com a CBF.
Durante o processo eleitoral em Mato Grosso, o STJD realizou, de forma inédita, sessões itinerantes em Cuiabá, o que ajudou a conferir prestígio ao grupo vencedor. A intervenção da CBF na federação local, iniciada em julho de 2025, incluiu cursos gratuitos, capacitação de dirigentes e apoio estrutural à entidade.
Aliados do grupo derrotado alegam que a eleição foi influenciada pelo peso político da CBF e do IDP. Já articuladores da chapa vencedora afirmam que a escolha buscou garantir continuidade administrativa.
A atuação de Gilmar Mendes no STF também marcou episódios decisivos na CBF, como decisões que mantiveram e, posteriormente, afastaram Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade. O entorno do ministro nega qualquer interferência nas articulações políticas do futebol.
(Com informações de O Estado de S. Paulo)