Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026

Home Brasil Filhos do jornalista Vladimir Herzog, morto durante a ditadura militar, são reconhecidos como anistiados políticos

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Os dois filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em São Paulo em 1975, durante a ditadura militar no Brasil, foram reconhecidos como anistiados políticos pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Além de receberem um pedido oficial de desculpas do governo brasileiro, Ivo e André Herzog serão indenizados em R$ 100 mil cada. A portaria que reconhece os dois irmãos como anistiados foi publicada na edição de segunda-feira (12) do Diário Oficial da União pela ministra Macaé Evaristo.

“Em 2024, foi concedida a condição de anistiada política à Clarice Herzog. A decisão amplia o processo de reparação já reconhecido pelo Estado em relação à família Herzog”, justificou, em nota, o ministério.

Conselheira da Comissão de Anistia e relatora do caso, Gabriela de Sá afirmou que o reconhecimento da anistia política aos filhos de Vladimir Herzog representa uma reparação histórica de um período que causou traumas intergeracionais.

“É importante destacar que são considerados anistiados políticos todas as pessoas que sofreram atos institucionais, complementares ou de exceção na sua totalidade. Isso quer dizer que, quando se impõe restrições à convivência familiar, estamos lidando com uma medida de exceção que viola diretamente os direitos dos filhos e filhas de quem foi perseguido politicamente”, justificou.

Segundo ela, a análise da documentação que consta nos requerimentos de anistia política mostra o quanto os irmãos “foram afetados desde a infância pelas disputas em torno das diferentes versões sobre as circunstâncias do assassinato de seu pai”.

“Sobretudo, à ostensiva exposição do registro de Vladimir Herzog sem vida na cela do DOI-CODI [órgão de inteligência e repressão da ditadura militar], em São Paulo, ressaltando a necessidade de reconhecer as violações de direitos humanos que diretamente atingiram os irmãos, durante a época da ditadura”, complementou a conselheira.

Em 1975, Vladimir Herzog foi escolhido pelo secretário de Cultura de São Paulo, José Mindlin, para dirigir o jornalismo da TV Cultura. Em 24 de outubro daquele ano, foi chamado para prestar esclarecimentos na sede do DOI-CODI sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Sofreu torturas e, no dia seguinte, foi morto. A versão oficial da época, apresentada pelos militares, foi a de que o jornalista teria se enforcado com um cinto.

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