Domingo, 07 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de junho de 2026
A queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Sudeste, apontada por pesquisas recentes, tem gerado preocupação entre aliados e integrantes do campo bolsonarista. Na avaliação desse grupo, a manutenção da tendência de perda de apoio na região pode trazer consequências para a estratégia eleitoral da direita nas eleições de 2026, especialmente porque o Sudeste concentra os três maiores colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Este último, além da relevância eleitoral, é considerado o principal reduto político da família Bolsonaro.
De acordo com interlocutores do PL, um eventual enfraquecimento de Flávio na região pode impactar diretamente a construção dos palanques estaduais e dificultar a articulação política necessária para fortalecer candidaturas alinhadas ao campo conservador. O receio é que uma redução na competitividade do presidenciável acabe influenciando também as disputas locais, tornando mais difícil a mobilização de lideranças e eleitores.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada há duas semanas indicou uma queda expressiva do senador no Sudeste. Segundo o levantamento, enquanto o presidente Lula ampliou sua presença na região, Flávio registrou recuo significativo nas intenções de voto. Na comparação entre os levantamentos realizados em abril e maio, o parlamentar passou de 41,2% para 30,7%, uma redução de aproximadamente dez pontos porcentuais em apenas um mês.
Entre os estados da região, o Rio de Janeiro aparece como uma das maiores preocupações para o entorno político de Flávio. Integrantes do grupo classificam a situação local como “totalmente bagunçado”, em referência às dificuldades para organizar uma chapa considerada competitiva para a disputa estadual.
O nome escolhido para concorrer ao governo do estado é o de Douglas Ruas. Caso sua candidatura seja confirmada, ele terá pela frente o desafio de enfrentar críticas relacionadas à sua participação na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). A avaliação de adversários políticos é que o desgaste enfrentado pela administração estadual poderá influenciar o debate eleitoral nos próximos meses.
Outro fator que contribuiu para a reorganização do cenário político fluminense foi a decisão de Cláudio Castro de desistir da disputa ao Senado. O ex-governador enfrenta questionamentos judiciais, situação que levou à retirada de seu nome da corrida eleitoral. Com isso, caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro definir quem deverá ocupar a vaga na chapa. Entre os nomes citados nos bastidores estão os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, além do senador Carlos Portinho, que anteriormente havia sido preterido por Flávio durante a montagem da composição política.
Em Minas Gerais, a situação também é vista com cautela pelos aliados do senador. Até o momento, não existe uma definição clara sobre qual liderança poderá oferecer um palanque estadual para sua candidatura. O senador Cleitinho (Republicanos), que aparece à frente em pesquisas de intenção de voto para o governo mineiro, ainda não oficializou sua participação na disputa.
Nos bastidores, bolsonaristas demonstram dúvidas sobre a disposição de Cleitinho em concorrer ao cargo. Alguns aliados afirmam que ele “só sabe ser pedra, não sabe ser vidraça”, expressão utilizada para questionar sua disposição de assumir uma posição mais exposta politicamente. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)