Quarta-feira, 25 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de março de 2026
Gerson Brenner estava no auge, vivendo o Jorginho na novela “Corpo Dourado”, da Globo, quando sua carreira foi interrompida por um crime brutal. Naquela segunda-feira, 17 de agosto de 1998, o ator de então 38 anos dirigia seu carro, um Volkswagen Golf, de São Paulo para o Rio. Na Rodovia Ayrton Senna, perto do município de Guararema, o artista passou por cima de pedregulhos deixados no asfalto. Era madrugada alta, e a estrada estava vazia. Tudo inspirava perigo. Mas, com dois pneus furados, Brenner teve que parar e descer do veículo. Ao se agachar para trocar um pneu, ele foi abordado por bandidos. Tentou reagir, mas levou um tiro de pistola .380 na testa.
O ator foi socorrido por dois caminhoneiros, que o avistaram estirado no chão e chamaram a Polícia Rodoviária Federal. Ele chegou à Santa Casa de Jacareí por volta das 5h, em coma e com paralisia do lado direito do corpo. Os médicos constataram que a bala atravessara todo o lado esquerdo do cérebro da vítima, até ficar alojada perto da nuca. A equipe estancou a forte hemorragia, reduziu o inchaço no cérebro e manteve o artista sedado até sua transferência para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde a bala foi removida. A vida de Brenner estava salva, mas o crime deixou sequelas permanentes, como dificuldades de fala, perda de cognição e motricidade.
O ator, que morreu na segunda-feira, aos 66 anos, passou a conviver com grandes limitações para se locomover, falar e até para se alimentar. Mas ele contava com os cuidados de sua mulher, Marta Mendonça. A psicóloga era uma das profissionais que tratava de Gerson logo depois do crime. Com o tempo, os dois se envolveram, Marta passou o paciente para outro terapeuta e, em 1999, casou-se com Brenner. O artista também era pai de Ana Haas, fruto de seu primeiro casamento, e de Vitória Brenner, filha de seu segundo matrimônio, com Denise Tacto, que estava grávida de 8 meses quando ele foi baleado naquela madrugada de 1998 (o casal se desfez pouco depois).
Os bandidos que arruinaram a vida do ator foram presos quatro dias após o crime. Eram três, com idades de 19 a 25 anos. Naquela madrugada, eles colocaram pedras na estrada e ficaram aguardando uma vítima. Depois, um dos criminosos abordou o ator quando ele estava trocando o pneu. Ao ver o ladrão desarmado, o artista de 1,90m reagiu. Os dois chegaram a se engalfinhar, mas havia outro bandido, com uma pistola, que disparou contra a vítima. “A gente fugiu assustado, o cara era muito grande”, contou um assaltante. O grupo, que não reconhecera Brenner, foi embora deixando no banco do carro uma pasta com R$ 2 mil em dinheiro, três relógios de ouro, três cheques de R$ 4 mil e joias.
Segundo a então mulher do ator, Denise Tacto, o marido estava acostumado a viajar de carro durante a madrugada, para evitar o tráfego de caminhões. Ele vinha acumulando muita quilometragem atrás do volante, participando de eventos no interior do país mediante cachê, aproveitando a fama atingida com o fazendeiro Jorginho, um dos personagens principais de “Corpo Dourado”. “O Gérson ultimamente só trabalhava, animando rodeios e apresentando festas. Ele não dormia, não comia. Apenas trabalhava. Agora mesmo, Gérson ia começar uma série de comerciais, quando acabasse a gravação da novela”, disse Denise, em entrevista horas depois do crime na estrada.
Brenner deveria estar no Projac para gravar a cena final de “Corpo Dourado”, no dia seguinte ao crime. A sequência reuniria todo o elenco da novela na pracinha cenográfica da fictícia Marimbá, onde se passa a trama. Os personagens apareceriam felizes, com seus rebentos e pares românticos. Jorginho estaria ao lado de Alicinha (Danielle Winnits), grávida de trigêmeos pela segunda vez e com as suas três filhas nascidas antes. Mas o crime contra o ator mudou tudo. Na última cena, estavam só os personagens Chico (Humberto Martins), Selena (Cristiana Oliveira) e o filho do casal. Os colegas de set se disseram consternados e esperavam que o artista se recuperasse logo para voltar ao trabalho.