Domingo, 21 de Julho de 2024

Home Economia Gestores acham que juros no País se manterão em 10,5% neste ano e apostam menos em cortes

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A mediana dos gestores de fundos de multimercados prevê que os juros continuarão em 10,50% neste ano, mas serão cortados para 9,50% em 2025 e para 9% em 2026, apontou um estudo feito pela casa de análises Empiricus com 44 gestoras de recursos. Os gestores diminuíram consideravelmente as apostas em cortes de juros no País, reflexo de uma piora na percepção da credibilidade do governo em relação ao equilíbrio das contas.

O levantamento foi realizado nos primeiros dias de junho, antes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afagar o mercado. Ele afirmou que está discutindo com a equipe do governo sobre o Orçamento de 2025 para que seja realizada uma revisão “ampla, geral e irrestrita” nos gastos. Antes desse afago, a revisão das metas fiscais para baixo, discutida no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), diminuiu bastante a credibilidade do governo aos olhos do mercado financeiro.

O desequilíbrio fiscal pressiona a inflação e pode indicar altos juros por mais tempo. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide os juros na quarta-feira que vem (19), após diminuir o ritmo de redução da taxa Selic para 0,25 ponto percentual, de 10,75% para 10,50% ao ano, em sua última reunião, há quase 45 dias.

O estudo da casa aponta que o sentimento dos profissionais com os juros nominais (que não descontam a inflação) recuou do patamar otimista para neutro, o que indica que eles diminuíram as apostas em cortes de juros no País. Já com os juros reais (que descontam a inflação), os profissionais seguiram no patamar otimista em que estavam antes.

Apesar de os dados de inflação permanecerem benignos, as expectativas de mercado para os próximos meses e anos têm se elevado, como mostra a pesquisa Focus do Banco Central. Os ruídos em relação aos juros aumentaram e o cenário está convergindo para ser mais restritivo na visão de muitos gestores.

A Empiricus perguntou também aos gestores sobre o seu sentimento em relação a indicadores da economia brasileira. O sentimento piorou para os três indicadores — contas do governo, crescimento da economia e inflação —, mas o que piorou mais foi o para as contas do governo.

Apesar desse ambiente negativo, o sentimento dos profissionais para a bolsa brasileira melhorou levemente, com os gestores considerando atrativos os preços dos papéis e os resultados financeiros das empresas.

A parcela de risco dos portfólios dos fundos aumentou em junho, mas a maioria está com menos de 50% do portfólio em risco. Para os próximos seis meses, o movimento mais provável para a maioria ainda é de aumento de risco.

Já em relação às bolsas nos Estados Unidos, piorou um pouco o sentimento em meio a recordes atrás de recordes das mesmas. Nesta semana, dados de inflação vieram mais fracos do que o esperado, mas o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) projetou só um corte de juros em 2024.

A mediana dos gestores acha que, nos EUA, os juros se manterão no nível de 5% neste ano, mas cairão para 4% em 2025 e para 3% em 2026. A perspectiva também é de juros altos por mais tempo, dada a inflação persistente na região.

Na Europa, embora a economia tenha dado pistas de reaquecimento, o Banco Central Europeu cortou os juros na última reunião. Já na China, o setor imobiliário continua deteriorado, apesar dos estímulos do governo.

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A mediana dos gestores de fundos de multimercados prevê que os juros continuarão em 10,50% neste ano, mas serão cortados para 9,50% em 2025 e para 9% em 2026, apontou um estudo feito pela casa de análises Empiricus com 44 gestoras de recursos. Os gestores diminuíram consideravelmente as apostas em cortes de juros no País, reflexo de uma piora na percepção da credibilidade do governo em relação ao equilíbrio das contas.

O levantamento foi realizado nos primeiros dias de junho, antes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afagar o mercado. Ele afirmou que está discutindo com a equipe do governo sobre o Orçamento de 2025 para que seja realizada uma revisão “ampla, geral e irrestrita” nos gastos. Antes desse afago, a revisão das metas fiscais para baixo, discutida no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), diminuiu bastante a credibilidade do governo aos olhos do mercado financeiro.

O desequilíbrio fiscal pressiona a inflação e pode indicar altos juros por mais tempo. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide os juros na quarta-feira que vem (19), após diminuir o ritmo de redução da taxa Selic para 0,25 ponto percentual, de 10,75% para 10,50% ao ano, em sua última reunião, há quase 45 dias.

O estudo da casa aponta que o sentimento dos profissionais com os juros nominais (que não descontam a inflação) recuou do patamar otimista para neutro, o que indica que eles diminuíram as apostas em cortes de juros no País. Já com os juros reais (que descontam a inflação), os profissionais seguiram no patamar otimista em que estavam antes.

Apesar de os dados de inflação permanecerem benignos, as expectativas de mercado para os próximos meses e anos têm se elevado, como mostra a pesquisa Focus do Banco Central. Os ruídos em relação aos juros aumentaram e o cenário está convergindo para ser mais restritivo na visão de muitos gestores.

A Empiricus perguntou também aos gestores sobre o seu sentimento em relação a indicadores da economia brasileira. O sentimento piorou para os três indicadores — contas do governo, crescimento da economia e inflação —, mas o que piorou mais foi o para as contas do governo.

Apesar desse ambiente negativo, o sentimento dos profissionais para a bolsa brasileira melhorou levemente, com os gestores considerando atrativos os preços dos papéis e os resultados financeiros das empresas.

A parcela de risco dos portfólios dos fundos aumentou em junho, mas a maioria está com menos de 50% do portfólio em risco. Para os próximos seis meses, o movimento mais provável para a maioria ainda é de aumento de risco.

Já em relação às bolsas nos Estados Unidos, piorou um pouco o sentimento em meio a recordes atrás de recordes das mesmas. Nesta semana, dados de inflação vieram mais fracos do que o esperado, mas o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) projetou só um corte de juros em 2024.

A mediana dos gestores acha que, nos EUA, os juros se manterão no nível de 5% neste ano, mas cairão para 4% em 2025 e para 3% em 2026. A perspectiva também é de juros altos por mais tempo, dada a inflação persistente na região.

Na Europa, embora a economia tenha dado pistas de reaquecimento, o Banco Central Europeu cortou os juros na última reunião. Já na China, o setor imobiliário continua deteriorado, apesar dos estímulos do governo.

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