Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

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Grupo Hospitalar Conceição celebra sua trajetória e projeta futuro digital, reafirmando o SUS como espaço de inovação e humanização.

Setenta anos depois de sua fundação, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) não é apenas um complexo hospitalar. É um símbolo da resistência da saúde pública brasileira, um patrimônio vivo que atravessou gerações e que agora se reinventa para enfrentar os desafios do século XXI.

O lançamento das comemorações, em Porto Alegre, foi mais do que uma cerimônia institucional. Foi um manifesto. Ao homenagear trabalhadores que dedicaram décadas de suas vidas ao hospital e ao anunciar um projeto bilionário de digitalização da saúde, o GHC mostrou que sua força está justamente na capacidade de combinar memória e futuro.

O presidente Gilberto Barichello sintetizou essa dualidade ao afirmar: “Hoje temos 14 mil trabalhadores, e todos, mais aqueles que passaram por nós, deixaram aqui sua história, de um legado que trouxe cuidado para as pessoas. Temos que comemorar, mas este legado precisa projetar o futuro, e temos um futuro bastante promissor aqui no GHC”. A fala traduz a essência de uma instituição que cresceu junto com o SUS e que agora se prepara para liderar uma nova etapa: a era digital.

O anúncio do Complexo de Saúde Digital, previsto para 2031, é mais do que uma obra de infraestrutura. É uma aposta política e cultural. Com investimento de R$ 1,7 bilhão, o projeto promete ser o maior da América Latina, integrando hospitais, centros de ensino e pesquisa, inovação tecnológica e logística farmacêutica. Mais do que reduzir filas ou unificar históricos de pacientes, o plano simboliza a tentativa de mostrar que o SUS pode ser moderno, eficiente e tecnológico sem perder sua essência humanizada. Como disse Barichello: “A tecnologia só vale se ela cuida e produz qualidade de vida para as pessoas”.

Mas o GHC não se limita a máquinas e algoritmos. As comemorações também abraçam iniciativas culturais e sociais, como o Calendário Camaleoas 2026, que valoriza mulheres em tratamento oncológico. A paciente Eloísa Fernandes da Mota emocionou ao relatar: “Receber o diagnóstico de um câncer é como se puxasse o tapete da gente, mas eu respirei fundo, pedi força e decidi enfrentar. Hoje, me sinto mais forte, grata e com vontade de contar minha trajetória para incentivar outras mulheres a se cuidarem”.

Essas histórias revelam que o GHC é mais do que um hospital: é um espaço de memória coletiva. Cada trabalhador, cada paciente, cada família que passou por seus corredores compõe um mosaico de afetos e lutas. Ao homenagear figuras como José Matias Rizzotto, que dedicou 58 anos à instituição, o grupo reafirma que sua história não se mede apenas em números, mas em vidas transformadas.

O desafio, agora, é não perder de vista essa dimensão humana diante da avalanche tecnológica. O SUS, tantas vezes atacado e subestimado, encontra no GHC um exemplo de que é possível ser moderno sem abrir mão da solidariedade. A saúde pública não é apenas um serviço: é um projeto civilizatório.

Ao celebrar 70 anos, o GHC reafirma sua condição de patrimônio da saúde brasileira. Mais do que um hospital, é um espaço de memória, inovação e resistência. O futuro digital que se anuncia não pode apagar o passado de cuidado e humanização que o construiu. Se conseguir equilibrar tecnologia e afeto, o GHC mostrará que o SUS não é apenas viável: é essencial.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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