Sábado, 18 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de julho de 2026
O governo americano decidiu impor taxas a quase 3 mil produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. Foi o resultado de uma investigação sobre práticas de comércio que o governo Trump considerou desleais. O relatório faz críticas à atuação do governo do Brasil nas negociações entre os dois países.
A medida entrará em vigor no dia 22: 25% de sobretaxa a quase 3 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Entre eles etanol, máquinas agrícolas, açúcar, papel, produtos químicos, manufaturados, calçados e vestuário.
Mais de 2 mil itens ficaram de fora do tarifaço. Entre eles, os dez produtos que o Brasil mais exporta para os americanos e que representam quase metade do valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos, como café, carne bovina e suco de laranja. Também ficaram isentos gasolina, aeronaves civis, componentes de aviação, medicamentos e diversos insumos farmacêuticos. A justificativa para essas exceções é que esses produtos não têm oferta suficiente nos Estados Unidos e poderiam gerar desabastecimento ou causar grande impacto econômico para os americanos.
Outros itens, como aço e alumínio, que já estavam submetidos a outras tarifas desde junho de 2025, permanecem com a taxa de 50%.
A balança comercial entre Brasil e Estados Unidos é favorável para os americanos. Em 2025, eles venderam 20% a mais do que compraram. O Brasil exportou US$ 37,7 bilhões para o mercado americano e importou US$ 45,1 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.
Para impor essas novas tarifas ao Brasil, os Estados Unidos abriram uma investigação sobre práticas desleais de comércio. Uma ferramenta legal que permite ao governo americano usar tarifas para pressionar um país se considerar que ele tem políticas que restringem o comércio americano.
A decisão do governo Trump foi divulgada na quarta-feira (15) à noite. O perfil do representante do Comércio dos Estados Unidos escreveu nas redes sociais:
“Há décadas, atos, políticas e práticas injustificáveis do Brasil prejudicam o comércio dos Estados Unidos”.
Em seguida, listou exemplos. Sobre desmatamento ilegal, afirmou:
“As práticas de desmatamento no Brasil dificultam a concorrência justa da indústria madeireira dos Estados Unidos nos mercados globais. Impressionantes 91% do desmatamento na Amazônia, entre 2023 e 2024, decorreram da extração ilegal de madeira”.
Sobre comércio digital, o representante do Comércio acusou a Justiça brasileira de emitir “ordens sigilosas determinando que empresas de tecnologia dos EUA – incluindo X, Meta e Google – removam determinados conteúdos políticos, suspendam contas pertencentes a residentes nos EUA e se abstenham de informar aos titulares dos perfis sobre a existência dessas ordens”. É uma referência às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF – Supremo Tribunal Federal, de pedir o bloqueio de usuários de redes sociais em inquéritos como o das fake news e das milícias digitais.
Outro argumento dos americanos é que o Brasil concede tratamento preferencial para o México e a Índia, com alíquotas inferiores às aplicadas às exportações dos Estados Unidos. De fato, o Brasil tem acordos de preferência tarifária com esses dois países.
O governo americano também disse que corrupção “não é novidade” no Brasil e que “o país se afastou ainda mais das normas globais de combate ao suborno e à corrupção”. Em 2025, o Brasil obteve apenas 35 de 100 pontos no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
O representante do Comércio citou também que o Brasil está em um relatório que identifica países que negam proteção adequada e eficaz à propriedade intelectual. O representante aponta falhas no combate à pirataria, assim como demora na concessão de patentes. O relatório usa como exemplo novamente a Rua 25 de Março, em São Paulo, apontada por eles como centro de venda de produtos piratas.
Um dos pontos principais da decisão foi referente ao mercado de etanol. O representante do Comércio americano lembrou que “o Brasil deixou de aplicar o tratamento tarifário anteriormente equilibrado ao etanol dos Estados Unidos e não concedeu reciprocidade às tarifas preferenciais dos Estados Unidos para o etanol brasileiro”. Como resultado, as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil totalizaram US$ 96 milhões, uma redução de 87% em relação ao pico de US$ 761 milhões registrado em 2018.
No final, a publicação cita o Pix. Segundo americanos, o Banco Central brasileiro tem atuado como regulador para prejudicar prestadores de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos e favorecer o Pix, sua “campeã nacional”.
“O Banco Central do Brasil incentiva o uso do Pix em detrimento de outros serviços ao determinar que as instituições participantes ofereçam o Pix gratuitamente a pessoas físicas e ao limitar as tarifas que essas instituições podem cobrar de empresas por transações via Pix”. (Com informações do portal de notícias g1)