Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026

Home em foco Governo brasileiro deixa de ficar encarregado da Embaixada da Argentina na Venezuela

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O Brasil decidiu devolver à Argentina a responsabilidade pela representação diplomática do país na Venezuela. Desde agosto de 2024, a custódia da embaixada e das atividades consulares argentinas em Caracas vinha sendo exercida pelo Itamaraty, em meio à crise entre o regime de Nicolás Maduro e o governo do presidente Javier Milei.

A decisão foi comunicada ao governo argentino no dia 8, poucos dias após a derrubada de Maduro pelos Estados Unidos. No dia seguinte, o Brasil informou às autoridades venezuelanas que deixaria o controle da embaixada. A transição para os argentinos deve começar ao longo desta semana.

A medida foi tomada após discussões internas no Itamaraty e contou com o aval do presidente Lula.

A mudança de posição ocorre em um contexto de atritos entre Lula e Milei em relação à operação americana que retirou Maduro do poder. O presidente argentino fez críticas públicas ao líder brasileiro, mencionando sua antiga relação com o regime chavista.

Segundo diplomatas envolvidos nas discussões, o Brasil avaliou que, nas atuais circunstâncias, não havia mais necessidade de assumir os riscos associados à proteção da embaixada argentina, responsabilidade exercida ao longo dos últimos 17 meses. Com a saída de Maduro, a Argentina estaria em condições de retomar essa função.

Esses mesmos diplomatas ressaltam que o Brasil precisou mobilizar esforços significativos desde 2024 para garantir a segurança das instalações e dos asilados que permaneceram na embaixada argentina em Caracas.

Mesmo com a devolução da responsabilidade, o governo brasileiro ainda solicitou à Venezuela, há dois dias, a libertação do policial argentino Nahuel Gallo, preso em dezembro de 2024 após entrar em território venezuelano.

Diante do novo cenário político e da postura adotada por Milei, o governo Lula concluiu que seu papel havia sido cumprido e que o momento mais crítico estava superado. A orientação do presidente aos diplomatas é manter a normalidade nas relações com a Argentina, sem responder a provocações.

O Brasil, no entanto, continuará responsável pela representação diplomática do Peru em Caracas. O governo peruano rompeu relações com a Venezuela após contestar o resultado das eleições que concederam um novo mandato a Maduro.

O Itamaraty assumiu, em agosto de 2024, a representação diplomática das embaixadas da Argentina e do Peru na capital venezuelana. Além da manutenção dos prédios, o Brasil ficou encarregado da proteção de seis opositores venezuelanos asilados na embaixada argentina, ligados à campanha de Edmundo González e ao grupo liderado por María Corina Machado.

Entre os asilados estavam Magalli Meda, uma das principais colaboradoras de María Corina, e Pedro Urruchurtu, responsável pelas articulações internacionais do movimento opositor. Um dos asilados deixou o local por motivos de saúde, enquanto os demais fugiram em uma operação com apoio dos Estados Unidos, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas.

Apesar da saída brasileira da custódia diplomática, funcionários locais pagos pelo governo argentino, como um caseiro e um cozinheiro, permanecem na embaixada.

A partir de agora, a Argentina deverá buscar outro país para assumir a representação diplomática em Caracas, já que suas relações com a Venezuela ainda não foram normalizadas. Nos bastidores, há contatos com a Itália para essa função.

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