Segunda-feira, 13 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de abril de 2026
O governo federal analisa medidas preventivas para o abastecimento de gás para usinas termelétricas diante das preocupações com o cenário internacional e possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimento de combustíveis. O objetivo é mitigar o risco de preços mais elevados do insumo para geração de energia e, consequentemente, pressão sobre os consumidores.
Segundo publicação do Valor Econômico, entre as medidas em discussão, está a possibilidade de antecipação da contratação de gás natural liquefeito (GNL). O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) também recomendou que agências reguladoras acompanhem a disponibilidade de insumos para geração de energia.
Por via de regra, as chamadas para contratação de térmicas ocorrem com 60 dias de antecedência, prazo necessário para viabilizar o transporte do insumo. A equipe técnica, no entanto, avalia ampliar esse intervalo para 90 dias. Na prática, a medida, de caráter preventivo, antecipa ao mercado a sinalização de necessidade de combustível para geração de energia.
O tema foi discutido durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nessa quarta-feira (8). A orientação do colegiado, presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), foi para que os órgãos responsáveis pela operação do setor elétrico acompanhem a disponibilidade de insumos para as usinas termelétricas. O entendimento é que a medida poderia evitar a compra do insumo a preços maiores. O governo tem adotado uma série de medidas no segmento de combustíveis para evitar pressões nos preços aos consumidores.
De forma mais imediata, o colegiado recomendou que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fiscalizem geradoras de energia elétrica e transportadoras de combustíveis para verificar as condições dos preços nos contratos de suprimento das térmicas. A medida inclui não apenas GNL, mas também diesel e óleo combustível.
No caso do diesel, porém, a iniciativa tem caráter preventivo, segundo fontes afirmaram ao Valor. Isso porque, atualmente, não há despacho relevante de usinas que utilizam esse insumo para gerar energia elétrica nem perspectiva no curto prazo. Isso se deve à recuperação expressiva dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas do sistema elétrico nacional ao longo de fevereiro e março, que já atingem 70%.
Em nota divulgada após a reunião, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que a recuperação dos níveis de armazenamento foi influenciada pela atuação de um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) no início do mês de março, que favoreceu volumes de chuvas acima da média nas bacias dos rios Tietê, São Francisco e Madeira. “Estima-se a manutenção do quadro hidrológico mais favorável entre abril e maio, com exceção da região Sul”, informou o MME em nota.
Apesar disso, o MME ressaltou que o sistema elétrico segue contando com o uso de térmicas, que tem custo de geração mais alto para os consumidores, para atendimento de potência, especialmente em cenários de maior demanda e condições climáticas adversas.
O CMSE manteve a previsão de uso dessas usinas, em conjunto com operação otimizada de hidrelétricas e uso estratégico do reservatório de Itaipu Binacional. (As informações são do Valor Econômico)