Quinta-feira, 28 de Agosto de 2025

Home Brasil Grupo criminoso ligado ao PCC movimentou ao menos R$ 52 bilhões desde 2020

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A organização criminosa infiltrada no setor de combustíveis movimentou, pelo menos, R$ 52 bilhões desde 2020. O grupo, alvo de outra investigação naquele ano, não só se reestruturou como cresceu nesse período, apontam as investigações.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), revelou que o grupo criminoso é ligado a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema abrangia toda a cadeia produtiva e de comercialização de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até postos de gasolina, utilizando uma rede sofisticada de empresas e mecanismos de ocultação financeira.

O grupo importava metanol, um material altamente inflamável e tóxico, e direcionava o produto a postos e distribuidoras para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa.

Segundo a Receita, o esquema de lavagem de dinheiro incluía desde empresas formuladoras de combustíveis até os postos, tanto na venda de álcool, gasolina e diesel quanto nas lojas de conveniência e padarias que ficam nesses locais.

Para dificultar o sistema antilavagem de capitais, os valores eram inseridos no sistema financeiro por meio de fintechs e instituições de pagamento, em vez de bancos convencionais. O dinheiro de origem ilícita então era reinvestido em negócios e propriedades por meio de fundos de investimentos.

Em coletiva de imprensa, a superintendente da Receita Federal em São Paulo, Marcia Cecília Meng, afirmou que a operação de hoje expõe não apenas a infiltração do crime organizado na economia formal, mas também sua “bancarização”.

“Nós conseguimos perceber que as fintechs envolvidas nessa operação bancarizaram o dinheiro do crime organizado. Uma vez dentro do sistema financeiro, dificilmente algum de nós vai questionar se o dinheiro veio de forma regular ou irregular. Essa é uma brecha regulatória muito sensível”, pontuou Marcia.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa usou as empresas Copape e Aster, formuladora e distribuidora de combustíveis, para cometer as fraudes. As companhias já haviam sido investigadas anteriormente e chegaram a ter a licença cassada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O promotor João Paulo Gabriel, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, confirmou o envolvimento direto de fundos e agentes do centro financeiro de São Paulo, a Faria Lima, no esquema de lavagem do PCC. Mas disse que o nível de participação está sendo aprofundado pelas investigações.

“Esse é um ponto importante. Ainda não podemos afirmar que eles atuam de forma cooperada, que é um único grupo. Mas também não dá para descartar. Em alguns fundos específicos, identificamos sobreposições. Ou seja, atuação conjunta. Não dá para falar que é um ecossistema compartilhado. Qual o nível dessa sobreposição? É o que a gente quer saber”, disse.

A Promotoria não detalhou nomes de postos de combustíveis envolvidos no esquema, apenas afirmou que são de diversos tipos, com e sem bandeira, de rede ou autônomo. No âmbito dessa operação, nenhum posto foi fechado. A medida imediata para limitar a atuação do grupo é a fiscalização, por parte da Receita Federal, da importação irregular do metanol e a posterior adulteração do combustível.

A Operação Carbono Oculto cumpriu 248 mandados de busca e apreensão e nenhum de prisão em oito estados. Ao todo, 766 policiais participaram das buscas. De forma concomitante, a Polícia Federal também deflagrou duas operações em São Paulo e no Paraná para coibir a atuação do crime organizado na cadeia produtiva de combustíveis.

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