Domingo, 11 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de outubro de 2026
As eleições de 4 de outubro deram uma vitória retumbante da direita e do bolsonarismo. É claro que a facção vitoriosa acumulou méritos e acertos para o resultado consagrador.
Mas estou convencido que os erros da esquerda, de Lula e do PT, que se armazenam há décadas, se constituem de fato nas verdadeiras razões da hecatombe.
Dá para escrever um livro sobre esses erros e contradições. Talvez o mais importante deles tenha sido, ao longo do tempo, um vício de origem que o PT e Lula nunca conseguiram superar: o que os mobilizava era um projeto de poder e não um projeto de país, de República. Faltou-lhes grandeza para incorporar o sentimento das massas populares à ideia de um projeto nacional, que abrangesse todas as classes e categorias, e não apenas os convertidos.
O PT, e mesmo Lula, sempre se conduziram na falsa premissa de superioridade moral, para a qual não bastava ser um correligionário, um simpatizante, mas requeria um comprometimento de ativismo e militância. Ou militante ativo, ou adesão incondicional, ou subordinação, ou você estaria fora da grei, você não mereceria a estrela.
Se o cidadão era um empresário já estava, só por isso, sob desconfiança. As empresas, na concepção geral do lulopetismo, são instrumentos de espoliar o empregado, o trabalhador. Não satisfaz ao partido o conjunto amplo de direitos da classe trabalhadora, os incontáveis mecanismos de controle do empregador e de proteção dos empregados contra os abusos de toda sorte.
Tudo tinha de provir do estado. Não era assim explícito, mas a ideia dominante consistia em um aparato estatal que tudo observa, regula, fiscaliza – o sonho da economia central e planificada.
Tudo, portanto, era subjacente a um desprezo pelas formulações do mercado. O exemplo mais gritante era a vista grossa que o estado petista fazia às ações ilegais do MST – o MST, que tinha licença para invadir e ocupar as terras à vista, e ao mesmo tempo, a ojeriza que o partido devotava ao agronegócio.
No ínterim, nem mesmo as excepcionais performances no setor, garantindo em meio a todas as crises, o aumento do PIB e os bons indicadores da economia nacional, comovia os detentores do poder para uma aliança ou uma aproximação construtiva.
Não se apercebeu a esquerda, o partido, Lula, que a conversa de sempre envelheceu, não porque alguém tenha planejado, mas porque assim determinou a lógica da produção capitalista advinda da revolução tecnológica.
Não perceberam que o mundo mudou e não foi na direção do que eles pretendiam. E que milhares de pessoas passaram a preferir correr os riscos da atividade produtiva, a visão empreendedora, e se tornaram patrões de si mesmos – encanadores, piscineiros, cuidadores de idosos e doentes, eletricistas, jardineiros, pintores, trabalhadores de aplicativos, milhares deles, que não gostavam de ser chamados de pobres e preferiam se ter na conta de autônomos e pequenos empresários. Só de MEIs (microempreendedores individuais) são 13,5 milhões de brasileiros. Esse contingente imenso de pessoas votou maciçamente em Flávio Bolsonaro.
(continua na próxima coluna)
(titoguarniere@terra.com.br)