Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026

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A jovem Isabel Veloso faleceu no último sábado10 de janeiro de 2026. Era jovem, jovem demais para os padrões do mundo e, ainda assim, viveu com uma lucidez que muitos não alcançam, mesmo depois de uma vida inteira.

Influenciadora digital, ganhou notoriedade ao compartilhar, com coragem e serenidade, sua luta contra o linfoma de Hodgkin, diagnosticado quando tinha apenas 15 anos, e veio a falecer aos 19 anos em decorrência de complicações após um transplante de medula óssea.

Ela escolheu um caminho raro: não usou as redes para pedir piedade, mas para espalhar consciência. Falou de saúde, tempo, fé e gratidão com uma maturidade que desarmaria até mesmo os corações mais endurecidos.

Tocou milhares de pessoas sem levantar a voz. Deixou legado sem jamais buscar aplauso. No entanto, nem todos souberam reconhecer a beleza dessa luta.

Durante meses, Isabel enfrentou não só a doença, mas também a violência silenciosa, porém brutal, da maldade humana. Foi atacada nas redes sociais, onde grupos de pessoas duvidavam da sua história e a acusavam de inventar o câncer como autopromoção, com comentários cruéis e acusações de fake news.

Ela chegou a rebater publicamente essas acusações e, com a ajuda de sua equipe jurídica, denunciou casos de calúnia e difamação, sem perder sua doçura.

Mas a vida de Isabel não foi feita só de ataques. No meio dessa tempestade, ela construiu uma família que foi seu maior troféu de vida: realizou o sonho de se casar com o homem que amava, Lucas Borbas, e juntos tiveram um lindo filho, ao qual chamaram de Arthur, que completou 1 ano poucos dias antes de Isabel nos deixar…

Isabel partiu cedo. Cedo demais para os relógios do mundo, mas no tempo certo para aceitar com sua alma. Enquanto muitos passam a vida inteira correndo, acumulando distrações e adiando o essencial, ela, tão jovem, compreendeu algo simples e profundo: a vida não se mede pela duração, mas pela consciência e intensidade com que é vivida.

Falou de dor sem revolta. De despedida sem amargura. De finitude sem desespero. Teve uma serenidade que falta a muitos de nós que ainda respiram, como se o amanhã fosse garantido, como se a saúde fosse eterna, como se o tempo fosse infinito.

No podcast em que participou com Rogério Vilela (Inteligência Ltda), Isabel não só relatou sua história de dor, mas também compartilhou seu desejo de viver plenamente até onde a vida permitisse, com fé, amor e coragem, inspirando muitos a repensarem suas próprias batalhas.

Isabel nos lembrou, com sua própria existência, que viver é um privilégio e que a saúde é um tesouro silencioso.

E cada amanhecer, esse gesto aparentemente banal, é um milagre que não se repete.

Algumas pessoas vivem pouco, mas despertam muito. Fico pensando que talvez essa seja a forma mais alta de permanecer eterno em nossos corações.

Obrigado, Isabel, por lembrar aos vivos aquilo que o ego, o ruído e a correria do mundo tentam apagar todos os dias. Que a vida é preciosa demais e que a felicidade mora nas coisas mais simples da vida.

* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta

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