Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de fevereiro de 2026
O Ibovespa fechou acima dos 185 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira (3) após o Banco Central sinalizar corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. O movimento de valorização das ações brasileiras ainda é ancoradas pelo fluxo de capital externo para a bolsa paulista. Mais cedo, o índice superou os 187 mil pontos, mas perdeu parte do fôlego. O dólar, por sua vez, encerrou em queda de 0,15%, cotado a R$ 5,2495.
De acordo com dados da B3, janeiro teve entrada líquida de estrangeiros no mercado secundário de ações de cerca de R$ 26,3 bilhões, montante acima de todo o saldo positivo de 2025, de aproximadamente R$ 25,5 bilhões. O Ibovespa fechou em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos. O volume financeiro somou R$ 36,47 bilhões.
A alta no pregão foi impulsionada pelas blue chips Vale e Petrobras. A mineradora terminou o dia com forte valorização de 4,92%, enquanto os papéis preferencias e ordinários da petrolífera subiram 0,91% e 1,24%, respectivamente.
O dólar encerrou o dia próximo da estabilidade ante o real, após ter cedido quase 1% durante a sessão, influenciado por um lado pelo recuo da moeda no exterior e pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira, mas também pelas especulações sobre o próximo diretor de Política Econômica do Banco Central. No ano, a moeda acumula agora queda de 4,38%.
“O Ibovespa segue em tendência de alta de curto prazo”, afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista nesta terça-feira.
Investidores repercutiram nesta sessão a ata da última decisão de juros do Banco Central, que afirmou que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização monetária, que deve ser iniciado em março, serão determinadas ao longo do tempo, enquanto enfatizou necessidade de juros ainda restritivos.
“Em termos de ‘forward guidance’, o tom da ata do Copom foi semelhante ao comunicado da semana passada, o que interpretamos como alinhado à nossa visão de um corte de 50 pontos básicos em março (na Selic)”, afirmaram economistas do JPMorgan, avaliando que dados até a próxima reunião devem reforçar tal visão.
Para Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, a ata do Copom reforçou a mensagem de flexibilização da política monetária que deve começar em março, o que trouxe otimismo ao mercado, apesar do ritmo de corte de juros não ter sido mencionado.
“Com a perspectiva de juros mais baixos no Brasil, ações de empresas do setor de varejo, consumo e construção sobem como é o caso de Cyrela, Magazine Luíza, Assaí, MRV, Lojas Renner, entre outros papeis dos setores.”
Bergamo alerta para a volatilidade que o mercado pode sofrer nos próximos dias com o início da temporada de balanços do quarto trimestre de 2025. Itaú e Santander divulgam seus resultados nesta quarta-feira. O mercado também esteve atento as últimas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não definiu quem serão os dois novos diretores do Banco Central.