Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home Brasil Impacto da ômicron na vida real depende da vacinação

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Enquanto no Brasil a curva de casos de covid-19 provocados pela ômicron está em plena ascensão, a variante circula pelo mundo há cerca de cinco semanas e já se torna possível traçar o comportamento dessa nova onda: nos países onda a vacinação está avançada, há muitos casos mas muito menos mortes do que o provocado por outras cepas.

Países como Portugal e Reino Unido, que têm altas taxas de vacinação, e até o Brasil, observam uma explosão de casos, mas não de hospitalizações em UTI ou mortes. Portugal, por exemplo, tem quase 90% da população completamente vacinada. Assim, apesar de ter mais de 24 mil casos diários, muito para um país pequeno, registra apenas 15 óbitos por dia.

A situação dos EUA é mais complicada. O país tem tido dificuldade nos últimos meses em aumentar seu percentual de população imunizada. Hoje, com 61,8% dos americanos totalmente vacinados, de maneira muito desigual pelo território, o número de mortes é de 3,7 por milhão de habitantes, ou 1.222 óbitos por dia. Mais que o dobro de Portugal, cuja taxa é de 1,5 por milhão.

Os não vacinados representam 90% das mortes em todo o mundo. Nos EUA, onde mais de 35 milhões de pessoas não quiseram aderir à imunização, o que vai acontecer nas próximas semanas é uma incógnita preocupante. O infectologista Filipe da Veiga usa Nova York como exemplo: desde que a vacinação começou na cidade americana, há um ano, morreram 600 pessoas vacinadas. E quase 7 mil não vacinadas.

“Individualmente, quem tem menos de 50 anos e duas doses de vacina pode pegar covid, mas provavelmente vai ficar bem. Quem tem mais de 50 e tomou três doses também, desde que a data da última dose seja a menos de quatro meses em ambos os casos”, diz Veiga.

No entanto, é preciso analisar o cenário de um ponto de vista da coletividade:

“A pessoa infectada pode transmitir para uma criança que não pode ser vacinada ainda ou para pessoas com menor imunidade, como idosos ou imunossuprimidos. Fora a questão da força de trabalho, como sistema de transporte ou saúde. Por isso é importante respeitar a questão do isolamento.”

Sobrecarga na saúde

Embora o número de mortes e de internações em UTI não seja tão alto, tem havido muitas hospitalizações nos países que enfrentam a ômicron.

“Os EUA vão alcançar nesses dias o mesmo número de hospitalizações do pior momento da pandemia. Houve um aumento de 60% nas últimas duas semanas. Isso, na vida real, é o caos, porque é muito rápido. Mas o número em UTI ainda é um terço menor. E a duração da internação também é menor”, explica.

Outro problema visto lá é que 25% da linha de frente dos profissionais de saúde estão afastados, seja pela própria ômicron, ou por burnout.

O infectologista professor de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, identifica que problemas semelhantes já começam a ocorrer no Brasil.

“Apesar de, teoricamente, do ponto de vista individual essa onde ter menor impacto, em termos de saúde pública tem impacto enorme. Existe uma dificuldade importante do governo de entender de saúde pública e epidemiologia, individualizam muito a questão da pandemia.”

Como exemplo, ele cita a falta de testes, as horas de espera de pessoas doentes em busca de atendimento além de, justamente, a sobrecarga de profissionais de saúde, impedindo o atendimento a outras patologias e emergências.

O que esperar

A expectativa é que a América do Sul sofra menos do que outras regiões por conta da vacinação avançada e da “tragédia das infecções anteriores”:

“A combinação da vacina com as infecções prévias deve ajudar a proteger contra agravamento. Entre 30 e 60 milhões de brasileiros já tiveram covid. Embora isso não impeça que sejam infectados pela nova variante, funciona como uma terceira dose”, afirma Croda.

Para o infectologista, é preciso que o Brasil corra para garantir toda a população com duas doses já que a imunização no País é desigual, além da terceira para quem já foi vacinado há mais tempo e, claro, a imunização das crianças.

“A gente nunca conseguiu ter medidas preventivas adequadas, e agora estamos vendo o caos pós-festas. A única coisa que fizemos corretamente foi vacinar. Por isso temos que intensificar. Nossa curva começou a subir essas semanas, estamos só no começo. Isso deve durar janeiro todo e, a partir de fevereiro podemos começar a ter uma queda. Essa onda deve passar em março”, afirma Julio Croda.

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