Terça-feira, 25 de Junho de 2024

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Muitos comparam Vladimir Putin a figuras historicamente execráveis como Hitler e Stálin, responsáveis diretos por morticínios colossais que explicitaram, não apenas o horror genocida do século passado, mas o perigo gigantesco de determinada nação ficar à mercê dos desejos, ambições e caprichos de um único homem. Como isso é possível? De que forma um indivíduo somente, sabidamente limitado na sua condição humana, é capaz de galvanizar as mentes e os corações de milhões em prol de uma causa, por mais desprezível que seja? 31, alicie cúmplices, maquine alianças, constranja e mutile adversários, aparelhe o Estado a seu gosto, domestique a imprensa, sufoque a liberdade e, por fim, dê vazão a seus ímpetos mais desatinados e conquiste territórios, ou quem sabe até o mundo, já que a ambição dos déspotas não encontra limites institucionais que os detenham. Exageradas ou não, oportunas ou não, o fato é que o histórico do atual ditador russo e sua decisão de atacar um país soberano como a Ucrânia tornaram esse tipo de preocupação e curiosidade necessárias, especialmente quando as imagens de destruição e morte correm o mundo na velocidade digital, e trazem para o centro do debate a possibilidade de uma escalada mundial do conflito.

No terreno dos paralelos entre Putin e Hitler, por exemplo, além da retórica nacionalista, do uso massivo da mentira e da personalidade autoritária de ambos, a infiltração do personalismo de Putin nas entranhas do Estado russo é talvez o elemento mais decisivo nesse complexo tabuleiro onde muitos enxergam na deposição do “Senhor do Kremlin” a única alternativa para pôr fim à Guerra da Ucrânia.   Na Alemanha nazista, por sinal, em menos de 10 anos, Hitler consolidou em torno de si um poderoso aparato de proteção e incitação ao medo através de sua polícia secreta (Gestapo) e da Schutzstaffel, abreviada como SS, uma organização paramilitar ligada ao Partido Nazista que, de 1929 até o colapso do regime em 1945, foi a principal agência de segurança, vigilância e terror na Alemanha e na Europa ocupada pela mesma. Putin está no poder há mais de 20 anos, e é oriundo da antiga KGB, serviço secreto da antiga URSS, onde aprendeu como organizar uma quase impenetrável barreira de proteção ao seu redor. A eliminação física e o envenenamento de adversários políticos revelam a face mais obscura e temida do atual “senhor da guerra”. O discurso apoteótico de Putin, dia 18.03.2022, em Moscou, denota intrigante semelhança com eventos do Führer na Alemanha nazista, nos quais os acenos nacionalistas, ufanistas e agressivos reacendem hoje temores de outrora.

Por outro lado, a par dos devaneios homicidas de Putin, o macroambiente  geopolítico sofreu profundas mudanças e se apresenta bem diferente do período 1939-1945. Mesmo podendo mentir à velocidade da luz, como revelam as inúmeras versões que buscam reescrever ou editar a realidade a seu gosto, a internet também tem servido para confrontar os déspotas, tornando-os párias instantaneamente.  Ainda que não contidos pelos freios e contrapesos institucionais típicos de democracias consolidadas, os quais providencialmente procuram suprimir, os tiranos de agora enfrentam um novo conjunto de desafios.  Além das duríssimas sanções econômicas impostas à Rússia, nunca se viu nada parecido com o boicote privado de centenas de grandes empresas que estão descontinuando seus negócios naquele país, num garrote que tende a asfixiar o intercâmbio russo com o resto do mundo. Para muito além dos tanques, a escalada da violência russa na Ucrânia, e a despeito das críticas que se possam fazer ao ocidente nesse episódio, simboliza, decisivamente, que a democracia é, por sua natureza plural, o maior dos freios aos impulsos autocratas. São os países democráticos que estão à frente dessa cruzada moderna pela liberdade e soberania das nações, hoje aviltada pela Rússia, sob o comando de alguém que parece não encontrar limites para seu projeto de poder.

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