Domingo, 04 de Janeiro de 2026

Home Economia Indústria do petróleo no Brasil vê risco de alta nos preços após ataque dos Estados Unidos à Venezuela

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O ataque dos Estados Unidos à Venezuela elevou o grau de incerteza no mercado internacional de petróleo e pode pressionar os preços da commodity nos próximos dias, avalia o presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Roberto Ardenghy.

Segundo o especialista, mesmo diante da possibilidade de a Venezuela passar a fornecer mais petróleo globalmente, ampliando a oferta, o risco geopolítico tende a pesar mais nas cotações.

A avaliação ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o país passaria a governar interinamente a Venezuela e que empresas americanas explorariam o petróleo venezuelano.

“Nós teremos as nossas grandes empresas de petróleo americanas, que estão entre as maiores do mundo, para gastar bilhões de dólares e consertar a infraestrutura [das plataformas de petróleo da Venezuela]. Vamos começar a ganhar dinheiro pelo país”.

Ardenghy explica que a Venezuela tem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 220 bilhões de barris, as maiores do mundo, concentradas principalmente na Faixa do Orinoco. Esse volume ajuda a explicar o interesse internacional e o potencial impacto de mudanças no cenário político do país no médio e longo prazo.

Entretanto, o peso do país é pequeno na produção global. “A Venezuela produz cerca de 700 mil barris por dia. Para comparar: a Arábia Saudita produz cerca de 12 milhões, os Estados Unidos 13 milhões, o Brasil 5 milhões”.

Segundo o presidente do IBP, o mercado de petróleo reage mais à expectativa do que à produção física. O mundo produz cerca de 100 milhões de barris por dia, mas negocia diariamente cerca de 1 bilhão de barris no mercado futuro. “Mesmo sem mudança imediata na oferta, o simples aumento da incerteza já afeta os preços. O mercado vai precificar esse risco”, disse.

Para Ardenghy, declarações desse tipo ampliam a percepção de risco no mercado de energia. “Diante do que aconteceu nas últimas horas, é perfeitamente provável que, a partir da abertura dos mercados na Ásia, no domingo à noite, haja uma pressão de alta nos preços. Quanto será essa alta e por quanto tempo ela vai durar, não dá para afirmar agora. Isso vai depender de como a situação vai evoluir. Mas o mercado certamente vai precificar esse cenário”, afirmou Roberto.

Atualmente, o petróleo venezuelano segue sob embargo dos Estados Unidos, o que limita sua circulação internacional. Trump disse neste sábado que o embargo seria mantido até a situação no país se normalizar. A Venezuela é também membro fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), responsável por cerca de 40% da produção mundial, o que amplia a atenção do mercado sobre os desdobramentos do conflito.

Custo do frete marítimo no Caribe, rota estratégica

A escalada também pode elevar os custos de frete e de seguro marítimo no Caribe, rota estratégica para o comércio entre América do Sul, Estados Unidos e Canadá. Bloqueios ou desvios de rota encarecem o transporte e afetam cadeias de suprimento.

“Isso afeta inclusive o Brasil, que exporta petróleo para os Estados Unidos e importa diesel, gasolina e GLP [gás de cozinha] do mercado americano”, explica Roberto

Outro fator citado pelo especialista é o perfil do petróleo venezuelano, classificado como pesado, com baixo grau API. Apesar de exigir técnicas mais complexas de produção, esse tipo de óleo é valorizado para a fabricação de diesel, coque de petróleo e asfalto, e refinarias americanas foram historicamente adaptadas para processá-lo.

Para o Brasil, um eventual aumento do preço do petróleo tende a beneficiar a balança comercial. Segundo Roberto, o país exporta cerca de 1,7 milhão de barris por dia e já figura entre os maiores exportadores globais. “Um preço mais alto do barril gera mais dólares para a economia brasileira”, afirmou. (Com informações de O Globo)

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