Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

Home Política Inflação dos alimentos atinge 72% dos eleitores e pressiona Lula

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A menos de seis meses das eleições de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta desafios para reverter a queda de popularidade em seu terceiro mandato e manter vantagem na disputa pela reeleição, aponta a mais recente pesquisa Genial/Quaest. O revés ocorre em um contexto no qual a percepção negativa sobre a economia, puxada pela inflação de alimentos, ganha fôlego entre os brasileiros – os preços voltaram a subir, depois de meses sob controle, diante dos impactos da guerra no Oriente Médio, chegando ao maior nível do atual governo do petista, quadro que já tem se refletido no humor dos eleitores, que também se dizem mais endividados.

O levantamento mostra que houve um salto de 58%, em março, para atuais 72% no total de entrevistados que perceberam avanço nos valores dos alimentos no último mês. Além disso, metade dos entrevistados acredita que a economia do País piorou nos últimos 12 meses. Outro foco de preocupação é o endividamento das famílias. A Genial/Quaest mostra que 72% afirmam ter poucas ou muitas dívidas, índice que era de 65% em maio de 2025.

“O ambiente não parece favorável ao governo neste momento. A percepção do eleitorado é que o noticiário continua mais negativo (48%) do que positivo (23%). A percepção da população é que a economia está piorando”, avalia o diretor da Quaest, Felipe Nunes. “O principal motor da piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados.”

A pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores, indica que o cenário de pressão econômica impacta a tendência de deterioração da popularidade de Lula já observada nos últimos meses. Desde o início do ano, os eleitores que desaprovam a gestão federal passaram de 49% para 52%, numericamente o maior patamar desde julho do ano passado. Já o apoio ao governo recuou de 47% para 43%.

Ao mesmo tempo, Lula perdeu vantagem para seus principais rivais na corrida eleitoral. Pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente de Lula em simulações da Quaest para o segundo turno, embora ambos sigam empatados na margem de erro, de dois pontos percentuais.

“A economia não é suficientemente capaz de prever sucesso ou fracasso eleitoral, mas tem importância na análise. A questão do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é um exemplo. Uma vez que o brasileiro sente mais o bolso, a tendência é que, nesse cenário de polarização, a economia pode fazer diferença para o grupo de indecisos”, diz a cientista política Carolina Botelho, do INCT/SANI.

Na avaliação do cientista político Murilo Medeiros, da UNB, a “carestia é uma das piores notícias possíveis para qualquer governo em ano eleitoral”.

“Deteriora a imagem do governo e afeta diretamente o humor do eleitor. E eleição, no fim das contas, é decidida muito mais pelo bolso do que pelo discurso do governo ou por indicadores macroeconômicos.”

Amparo

A percepção dos eleitores sobre o preço dos alimentos é confirmada pelos indicadores da economia. A alimentação no domicílio subiu 1,94% nos resultados do IPCA de março. Esse percentual é bastante superior ao 0,23% de fevereiro e o maior desde abril de 2022, quando o índice oficial de inflação do país chegou a 2,59%.

Entre as principais altas de março estão o tomate, a cebola, a batata-inglesa, o leite longa vida e as carnes. Esses produtos estão muito presentes na rotina dos brasileiros, e seus reajustes tendem a gerar maior incômodo na população em relação à inflação.

Nem no fim de 2024 os números eram tão elevados. Na época, a inflação estava tão pressionada que o presidente veio publicamente cobrar medidas dos varejistas para a contenção do preço dos alimentos. Economistas apontam que, mesmo com as medidas para subsidiar combustíveis, o governo não conseguiu evitar as consequências na inflação do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã em retaliação aos ataques de EUA e Israel, que elevou a cotação internacional do petróleo.

Ainda que o governo tente minimizar o impacto, o aumento dos combustíveis acelerou a inflação em março e segue pressionando preços em abril, na avaliação de varejistas e consumidores. O transporte rodoviário tem impacto sobre os outros setores, principalmente no de alimentos, muito dependente dos caminhões. O custo dos fertilizantes também sofre impacto do conflito no Oriente Médio. (Com informações do jornal O Globo)

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