Domingo, 08 de Fevereiro de 2026

Home Economia Ingresso de capital: Investidor do exterior aposta no Brasil com a incerteza provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Compartilhe esta notícia:

O início de ano costuma ser marcado pela reorganização da carteira dos investidores tanto no Brasil quanto no exterior. Em 2026, os números confirmam exatamente esse movimento: os países emergentes, incluindo a economia brasileira, ampliaram sua participação na preferência dos investidores globais.

Diversos fatores explicam esse cenário. Entre eles, as incertezas geradas pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos – não apenas na condução da política econômica, mas também na forma como o republicano tem lidado com as instituições do país. Há ainda uma leitura de que a atividade global está mais forte do que o previsto pelos analistas. Isso, combinado com um cenário de queda de juros, estimula a busca por ativos considerados mais arriscados.

No curto prazo, todo esse movimento global ajuda a suavizar as incertezas da economia brasileira, como a questão fiscal. A desorganização das contas públicas se arrasta há mais de uma década – o Brasil se tornou um país emergente com uma dívida elevada – e permanece na mira do investidor.

“Esse movimento tem nome e sobrenome: investidor estrangeiro. E o Brasil está no meio desse processo que tem beneficiado os países emergentes”, afirma Luis Otavio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners.

Em janeiro, a migração de dinheiro para a Bolsa de valores brasileira surpreendeu. Na B3, o saldo de recursos dos investidores estrangeiros somou R$ 26,314 bilhões, um montante acima do observado em todo o ano de 2025 (R$ 25,473 bilhões).

No mês passado, a Bolsa brasileira subiu 18,42% em dólares e colheu o terceiro melhor resultado entre 21 mercados analisados pela consultoria Elos Ayta. O índice brasileiro só ficou atrás do Peru e da Colômbia.

Com a entrada de recursos no Brasil, o real também se fortaleceu em 2026. O dólar passou a ser cotado no patamar de R$ 5,20, abaixo da cotação de R$ 5,50 no fim do ano passado.

“Não é um movimento de saída dos Estados Unidos, simplesmente os investidores estão colocando um pouquinho mais dos seus recursos em outros países. É um fluxo novo e uma parte está indo para países emergentes”, diz Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management.

Fonte de risco

As preocupações em relação ao atual governo americano passam, por exemplo, pelas políticas agressivas, como a imposição de tarifas de importação altíssimas, embora Trump tenha recuado em parte delas; abrangem as duras críticas ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell; e envolvem as seguidas movimentações do republicano no campo geopolítico.

“Hoje, os Estados Unidos são fonte de risco e isso desde o ambiente interno do país, olhando para suas instituições de forma geral, e reverberando para o mundo a partir do momento em que as regras internacionais não são seguidas”, diz Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria.

Resiliência

Mesmo com toda a turbulência provocada por Trump, a economia global ainda demonstra resiliência, o que amplia o apetite dos investidores por ativos considerados mais arriscados.

Há um aumento dos gastos em defesa nos principais governos, diante dos riscos geopolíticos recentes, o que acaba estimulando o crescimento econômico. Nos EUA, em particular, também há o avanço do volume de investimentos em inteligência artificial.

No comércio global, os países conseguiram se reorganizar, apesar das tarifas. No ano passado, o Brasil obteve recorde na exportação, e a China viu suas vendas para o mundo crescerem 5,5% na comparação com 2024, alcançando um superávit também recorde.

No encontro de janeiro deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) global para 3,3% em 2026, acima da previsão anterior (3,1%).

“O mundo lida com um crescimento, uma inflação não tão forte como a esperada e com os bancos centrais cortando juros – ou com um discurso de manutenção, não de alta”, diz Solange.

Nos EUA são esperados dois cortes nas taxas de juros. No Brasil, os analistas consultados pelo relatório Focus, divulgado semanalmente pelo BC, projetam que a Selic encerre o ano em 12,25% – atualmente, ela está em 15%.

Por ora, é difícil prever se esse movimento pode continuar a beneficiar os países emergentes – tanto por questões internacionais quanto locais. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador começam a valer
Ingresso de capital: Investidor do exterior aposta no Brasil com a incerteza provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News