Quarta-feira, 03 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de junho de 2026
O Instituto de Pesquisa Clínica de Campinas (IPECC) incorporou uma nova área de atuação. A unidade, que soma estudos em cardiologia, endocrinologia, angiologia, pneumologia e pediatria, agora realizará também pesquisas sobre Alzheimer.
De acordo com Alexandre Pieri, médico neurologista do Einstein Hospital Israelita e coordenador de neurologia do instituto, o objetivo da iniciativa é a validação de tratamentos para que possam ser submetidos à análise dos órgãos regulatórios (como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
“A pesquisa clínica acompanha pacientes para verificar os efeitos colaterais — ou seja, a segurança do tratamento — e a eficácia. Tendo comprovadas a segurança e a eficácia, o medicamento avança para a fase quatro, que é a vida real, e então entra no mercado”, explica Pieri.
“Ainda assim, o gerenciamento continua e o estudo não termina: os pacientes acompanhados continuam sendo monitorados. É o que se espera de um processo dessa magnitude”, adiciona.
José Francisco Saraiva, fundador do instituto e membro do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destaca a importância de realizar esse tipo de pesquisa nacionalmente para adequar os medicamentos às características da população do País.
“Durante décadas, o Brasil importou medicamentos que não haviam sido validados para uso na população brasileira”, diz.
“O Brasil é um país com características regionais e culturais distintas. Temos uma alta taxa de miscigenação, diferentemente dos Estados Unidos — onde os estudos são feitos em brancos ou em negros — ou da Ásia”, acrescenta Saraiva.
As pesquisas sobre Alzheimer estão previstas para começar no dia 11 de maio. O primeiro estudo será focado na análise da eficácia de um tratamento para reduzir a agitação (irritabilidade e agressividade) em pacientes com a doença.
“Quando você conversa com familiares de pessoas com Alzheimer, percebe que um dos maiores desafios é exatamente a agitação”, diz. Segundo o neurologista, no início, o esquecimento pode até ser encarado com alguma leveza, mas com o tempo o paciente vai desenvolvendo irritabilidade, intolerância, impaciência e agressividade.
“Esse fármaco é desenvolvido exatamente para isso — e existe uma lacuna enorme nessa indicação. Hoje, quando temos um paciente agitado com Alzheimer, usamos antiepilépticos e neurolépticos como quetiapina e risperidona, todos off label.”
Interessados em participar dos estudos como voluntários podem entrar em contato com o instituto pelo site www.ipecc.com.br. Com informações do portal Estadão.